Quando penso na felicidade que muitas pessoas de hoje acreditam, nessa felicidade que fica no topo das coisas, que para ser alcançada é preciso ser o mais bonito, o mais rápido, o mais caro, o mais sarado... Quando penso nesse jeito de ser feliz, de sempre ter de subir e subir e subir, me lembro do pé de morango baixinho que tinha na casa da vó. Domingo era dia de vó. De almoço em família, de rever os tios, os primos, de comer as comidas mais gostosas, numa mesa de madeira antiga, supitando de panelas e amor. Todo domingo a gente alternava e almoçava em uma vó diferente. Um domingo era da vó Nininha; outro, da vó Jovita. Assim não dava ciúme em ninguém. O pé de morango ficava na casa da dona Jovita, minha avó paterna. E eu me lembro dos detalhes dessa casa, das mais simples, num dos bairros mais antigos da cidade, onde tudo era velho, até o povo. Uma casinha pequena que, aos domingos, crescia para caber a família toda: os 11 filhos e o dobro de netos.