Um dia, durante um almoço, me perguntaram qual era meu sonho. Disse que era viver da escrita. Depois, me perguntaram qual seria o ápice desse sonho. Ganhar o Jabuti, o mais tradicional prêmio literário do Brasil, respondi. Em seguida, pediram para eu descrever a cena da premiação e até ensaiar algumas palavras do discurso de agradecimento. Entrei na brincadeira e o fiz, não sem alguma empolgação, confesso. Confesso, também, me chatear com o fato de minha carreira de escritor ainda não ter decolado. E olhe que eu nem estou falando de Jabuti ou lista dos mais vendidos. Lamento não conseguir pagar meus boletos com as linhas que rabisco e os versos que ouso criar. Ah, mas você já escreveu alguns livros, teve poesias premiadas e publicadas em revistas e antologias. É preciso paciência e persistência. Uma hora sua hora chega. É, pode ser. Mas, e se não chegar? E se eu passar o resto da minha existência escrevendo e, com esse trabalho, não conseguir sequer pagar a conta do gás, a mais barata das despesas? Jabuti, então, só mesmo o que fantasiei naquele almoço.