Por que envio o pix pra ela e por que evito o contato com o poeta que tentava me vender seu livro são perguntas que me fiz. Enquanto eu refletia sobre a angústia e a frustração de algumas escritoras e escritores autopublicados que batalham a atenção do público nas ruas de Paraty, durante a FLIP (assunto da crônica publicada nesta coluna em 20/8), um vulto delicado, imperceptível para os dispersos, pousa na mesa um bilhete com pedido de ajuda para pagar os estudos. Tati é o nome da estudante. Ela não se apresentou, não se dirigiu a mim de maneira direta, não me interrompeu naquilo que eu fazia, nossos olhos não se cruzaram naquele restaurante indiano na Asa Norte, em Brasília. Tati é estudante da UnB. Não sei o curso e não duvidei de sua história contada em poucas palavras num pedaço de papel branco, impresso em frente e verso. De um lado o QR code de acesso à chave pix, do outro o desenho vetorizado de uma rosa e uma pequena biografia confessional do momento vulnerável que a jovem declara estar passando.