Estava pensando se escrevia sobre dor, falta, solidão ou prenúncio de primavera. O último tema tendia a prevalecer, por acenar com um olhar mais favorável à vida, um alívio de poesia na aridez de tantas notícias e informações preocupantes, aflitivas. Notei então que todas as possibilidades confluem para uma perspectiva que, se não propõe solução mágica nem escape fácil, é positiva no que tem de real. Tenho vivido dias de dedão, desde a ruptura de um ligamento no polegar da mão direita. “Uma luxação, não houve fratura”, diagnosticou o médico na emergência para alívio imediato meu. Ainda não sabia o quanto dói o tal ligamento, dificulta movimentos e acarreta perda de funcionalidade e autonomia. A bem da verdade, sequer sabia diferenciar ligamento de tendão. Pesquisei. “Ligamentos são tecidos formados, principalmente, por colágeno. Sua função é ligar um osso ao outro, por isso estão presentes principalmente nas articulações.” A explicação consta no catálogo escrito por Manoel Schütze para a exposição Human Bodies – Maravilhas do Corpo Humano, lição de anatomia com cadáveres submetidos ao processo de plastinação, que retira toda água e gordura do corpo para substituir por polímeros plásticos.