A pedra jaz no fundo do poço como um travesseiro. A infusão sensível da canela na água quente ao ponto de, sorvida após às 19 horas, não provocar insônia alguma. O gato se aconchega entre suas pernas na rede, tira um cochilo satisfatório e quando ele decide o momento de desfazer o encaixe é por vontade própria. Todo o cuidado de quem carrega água. A decisão segura da inutilização da coisa perdida, entre o momento em que ela é necessária e o tempo em que já não vale nada. O ônibus passa numa velocidade previsível e monitorada, mas ligeiro o bastante para que não se capture a imagem refletida em suas janelas envidraçadas. O céu sequestrado pelo edifício, todos os dias da semana, ruidosamente. Cinco homens cis parados na esquina, mão na cintura, assistindo o deslocamento do caminhão que carrega uma escavadeira estacionar.