Nesta semana, fez 42 anos que minha mãe entrou em trabalho de parto, aos sete meses de gravidez, sem saber que vinham gêmeos. Ela diz que o pré-natal não era comum naquele tempo, e que o próximo exame seria só no oitavo mês. Mas eu sei que era falta de grana. A dobradinha só virou surpresa porque as contas já estavam altas com o primeiro filho, o mais velho, que no meu nascimento só tinha um ano de vida. Na sala de parto, depois que nasci, o médico avisou à minha mãe que tinha outro a caminho. Então meu pai saiu correndo do hospital, antes do segundo nascer, para ir atrás de outro berço, outra mamadeira, mais fraldas, mais roupas, mais tudo. Ele quase não voltou. Um amigo da família, que esperava na recepção do hospital, pegou a carta que já tinha escrito à minha mãe e duplicou todas as sílabas.