Era sonho de menina do interior deslumbrada com as mansões da capital, algumas em estilo neoclássico, que anos depois veria como ostentação pouco criativa. Mas naquela Goiânia ainda pacata, de muito verde e trânsito que já amedrontava, embora jamais pudesse suspeitar que chegaria aos níveis de risco e estresse atuais, aquelas casas enormes cercadas de árvores e jardins arrancavam suspiros. Breve parêntese: casas que perderam a aura acolhedora de moradia para se transformar em clínicas, escritórios, comércio, ou que vêm sendo demolidas para ceder espaço à verticalização, espantosa pela rapidez e imponência, e por desfigurar setores tradicionais onde a história da cidade vai sendo apagada. A casa seria branca, adornada por bougainville de flor vermelha para contrastar com a alvura da construção. Teria árvores e jardins, hibiscos floridos para atrair borboletas de muitas cores, uma pequena torre, um andar acima somente, para fantasias de Rapunzel. Como era gostoso imaginar tamanha conquista.