O frango de televisão de cachorro é uma instituição nacional. Com algumas variações regionais — como as padocas paulistas e os galetos cariocas (ou será o contrário?) —, o espírito é o mesmo: o deleite quase pornográfico para o olhar, o cheiro que se espalha por quilômetros e o preço acessível. O sucesso dessa invenção é seu caráter democrático. De gente que precisa salvar uns trocados a mais às grandes redes supermercadistas, elas ofertam um alimento saboroso, relativamente barato e, acima de tudo, prático. É preciso admitir que, no caso das grandes redes, normalmente o que se encontra é uma versão mais sem graça da coisa. O frango, quase sempre mais miúdo, costuma estar em embalagens assépticas de plástico, dispostas em gôndolas estrategicamente posicionadas. Ganha-se em praticidade — pode-se matar dois coelhos com uma só cajadada: o almoço de domingo e as compras da semana —, perde-se em personalidade.