Respiro neste planeta há 53 anos, e pelo menos 45 dessas translações foram cumpridas em chão goiano. Minha goianidade por adoção, porém, tem lacunas graves, que desejo preencher nos anos que me restam — por uma questão puramente aritmética, em quantidade bem menor que aqueles que já se foram. Uma dessas falhas foi sanada no domingo, graças a pedidos repetidos anualmente pela minha única filha: fui assistir, pela primeira vez, pessoalmente, às Cavalhadas de Pirenópolis. Uma tradição bicentenária, em uma cidade tricentenária, destino preferido na solteirice, mantido já como casal e fortalecido com a família formada. Logo após o pórtico de entrada, um grupo de cinco ou seis mascarados serviu de abre-alas. Montados em cavalos resignados, os cavaleiros cercavam uma distribuidora de bebidas, devidamente abastecidos com latas de cerveja de toda tonalidade disponível: verdes, douradas, vermelhas, azuis.