Às vezes, o cronista perambula entre um e outro assunto e, em vez de sofrer com a falta, é assediado pelo excesso. Vai de um a outro, experimenta um começo aqui, ensaia outro ali, até que a própria vida, com seu senso de oportunidade, lhe põe nas mãos a história que deve ser contada. Foi assim que surgiu a história de um quati ébrio. Primeiro, é preciso situar o leitor no ambiente em que vivemos há dezesseis anos, habituados à convivência com diversos animais, por termos escolhido morar “na Floresta”. Estamos cercados por várias espécies: a doce, e por vezes barulhenta, seriema; pássaros de todos os matizes; os elegantes veados e a silenciosa capivara noturna. Não faltam animais rastejantes, mantidos sob controle pela vigilância das emas, além de dois tiús que habitam nosso quintal desde a época da construção da casa. Tem até histórias de onças...