Quando este texto ganhar outros olhos, estarei desafiando a labirintite sobre as pedras de Paraty. Como de costume, tão logo sai a lista dos autores convidados para a Flip, a festa literária da cidade, me jogo às páginas, para tirar o atraso da leitura. Foi assim que resgatei A Ridícula Ideia de Nunca Mais Te Ver, de Rosa Montero, de um exílio poeirento de três anos na nossa estante. A proposta literária ali é ousada: pode a morte trazer alguma beleza? Rosa Montero mostra que sim nesse livro inclassificável, erguido no ritmo de uma conversa. Ao escarafunchar os diários de Marie Curie, primeira mulher a ganhar o Nobel de Física, a escritora espanhola viu muito da própria dor. Ambas tiveram uma viuvez precoce e precisaram se reorganizar sob o peso da ausência. Marie perdeu o marido, Pierre, atropelado por uma charrete, de inopino. Rosa perdeu Pablo após dez meses de luta contra o câncer.