Existem clássicos e existem os clássicos que geram clássicos. Nesta última categoria figuram duas obras do poeta grego Homero, as epopeias Ilíada e Odisseia. Na verdade, existe um debate, nunca solucionado, se os dois livros seriam mesmo de Homero e há até dúvidas sobre a própria existência do autor, que seria um cego que andava pela Grécia Antiga declamando versos sobre a Guerra de Tróia (Ilíada) e a respeito do retorno a Ítaca de um dos heróis daquela aventura, Odisseu (nome grego) ou Ulisses (versão latina), a depender da tradução (Odisseia). Fato é que estes versos sobre Odisseu, cheios de aventuras, maldições, assassinatos, amores eternos e lances perspicazes, teriam sido reunidos há cerca de 2.700 anos e desde então é uma obra basilar da cultura ocidental. Essa influência fortíssima dos 24 cantos que compõem esse épico pode ser averiguada a todo instante, como neste momento. Estreia nesta semana a superprodução Odisseia, do diretor Christopher Nolan, na qual ele traz sua leitura deste alicerce da literatura universal. Com um elenco estelar e orçamento estimado em 250 milhões de dólares, este é um dos filmes mais aguardados do ano. O fato de essa história milenar despertar tamanho interesse e justificar apostas tão altas em tempos de redes sociais e inteligência artificial é uma prova de que as peripécias do herói grego, envolvido em batalhas com homens, deuses e seres mitológicos, nos dizem algo que é imperecível. Nelas há sentimentos que vão da vingança à libido, da ira à covardia, do engodo à redenção, da resiliência ao infortúnio.