Não é à toa que os clássicos são clássicos. Obras que atravessam gerações, séculos, que ganham interpretações bem diferentes no decorrer do tempo em comparação de quando foram escritas. Livros que parecem estar impregnados no nosso imaginário, retornando o tempo todo para nos lembrar que, sim, são fundamentais. E se há uma arte que sabe muito bem disso é o cinema. Na telona, as grandes obras literárias ganham outra vida, são apresentadas a vastos públicos, propõem novas leituras. E, claro, suscitam polêmicas. Toda adaptação de um livro para o audiovisual é um risco calculado, tendo chances de fazer estrondoso sucesso ou ser apedrejada como uma heresia. Ou as duas coisas ao mesmo tempo. E estamos com uma safra generosa de filmes que proporcionam esse debate. Lançamento recente, a nova versão para o cinema de O Morro dos Ventos Uivantes, baseada no romance de Emily Brontë, tem dividido opiniões. Lançado em 1847, o livro é considerado uma das principais obras góticas do período vitoriano. Ao contrário do que muita gente pensa, várias vezes em razão das adaptações idealizadas ou mesmo um tanto melosas para a telona, não se trata de uma história de amor romântico. Na verdade, a trama é pauleira. Inclui uma série de elementos pesados, que vão de obsessões e tragédias, passando por necrofilia, xenofobia e racismo. A paixão entre o ambíguo e violento Heathcliff, um dos personagens mais complexos da literatura do século 19, e Catherine Earnshaw é uma sequência de enfrentamentos, rancores e atos impulsivos.