“O ato de pintar me desloca no tempo.” Para Ebert Calaça, a tinta funciona como uma espécie de portal capaz de atravessar épocas, cidades e estados de espírito. É também por meio dela que o artista goiano reencontra a criança que observava as ruas, o grafiteiro que ocupou muros e o criador que hoje transforma papelão descartado e chapas de latas de tinta em seres fantásticos. Essa trajetória desemboca em Alopatia para Ancestralidade Inventada, exposição que será aberta nesta quinta-feira (13), na Vila Cultural Cora Coralina, no Centro, com mais de 80 obras, a maioria inédita. O título da mostra já anuncia uma provocação. Entre a ideia de cura e a construção de uma ancestralidade que não necessariamente existiu, Ebert cria personagens que chama de guardiões. São figuras lúdicas, coloridas e enigmáticas que surgem como companheiras imaginárias para enfrentar as dualidades da vida.