"Sou linda, morena, seios médios, bumbum cheinho, perna grossa, alto nível, atendo em hotéis e em motéis e o programa custa R$ 100", sussurra com voz sexy, logo desfeita com uma sonora gargalhada. Do outro lado da linha, a garota de programa Ana Cláudia, de 23 anos, simula para a reportagem do POPULAR o script repetido à exaustão no telefone divulgado nos classificados do jornal. É assim que a universitária ? pelo menos foi assim que se identificou ? vende seus serviços sexuais.Assistir ao filme Bruna Surfistinha, para ela, foi também se ver um pouco na tela. "É daquele jeito mesmo, mas um pouco mais triste", explica a garota, que lamenta não poder ter um namorado. "Nenhum homem aceitaria minha vida. Quero me formar logo e sair dessa." Para ela, o sucesso do filme não é surpresa. Todo mundo tem certo fascínio e repulsa em relação à rotina de quem vende sexo.Mas até mesmo quem apostou todas as fichas no filme, baseado na história real da ex-prostituta Rachel Pacheco, como o diretor do filme Marcus Baldini, se diz surpreso com o desempenho do longa nas bilheterias. A produção caminha para romper a marca dos 3 milhões de espectadores, se consagrando como um dos maiores sucessos do ano nos cinemas. "Sabia que a história despertaria o interesse das pessoas, mas não esperava que tanta gente fosse assistir ao filme. Foi uma boa surpresa", comemorou Baldini, em entrevista ao POPULAR.O enredo todo mundo mais ou menos já conhecia ? a garota de classe média que larga a família para se prostituir. Essa história foi contada por Raquel Pacheco no livro O Doce Veneno do Escorpião, best-seller que originou outras obras de sua autoria.Para Bruna Surfistinha ? personagem que Raquel criou para compartilhar na internet seu cotidiano ?, a prostituição funcionava como forma de negação do romantismo, em geral, e de exercício de poder, em particular. Para Marcus Baldini, Surfistinha se assemelha a personagens históricas como Cleópatra ou Dona Beija, que usaram da sedução feminina para conquistar poder."Bruna bate um pouco nesse arquétipo. Ela acreditava que através da prostituição poderia realizar seus desejos de menina. Viveu aquela história com uma verdade muito grande e não apenas por dinheiro. Por se sentir emocionalmente preenchida com aquilo, não tinha nenhum pudor. Naquele momento deslumbrado, demonstrou até um certo orgulho equivocado a respeito do que estava fazendo", explica Baldini. O grande diferencial foi ficar famosa ao contar a rotina real de garota de programa, até então apenas uma hipótese da ficção, em um blog que tinha milhares de acessos diários.Amor e ódioCom isso, ela despertou amor e ódio. "Vejo Bruna Surfistinha ? a personagem real ? como uma menina que se julga mulher, mas que não consegue assumir as consequências dos seus atos. É incrível como ela faz questão de expor de forma explícita e desnecessária situações da sua vida como prostituta, como se fosse uma coisa bacana. Expor os jovens a esse tipo de informação é um crime contra a juventude", opina a comissária de bordo Samantha Moraes, autora do livro Depois do Escorpião. Samantha viveu na vida real uma personagem que não aparece no filme: o da esposa traída que perdeu o marido para Bruna.Polêmicas à parte, a prostituição continua sendo o maior segredo na vida de meninas que fogem à antiga imagem da meretriz que escolhia este caminho por não ter outra opção de sobrevivência e que invadiram o mercado em busca de um trabalho rentável. A chegada delas no ramo mudou bastante a cara da prostituição nas últimas décadas. Não chega a surpreender o fato de nenhuma dessas garotas ouvidas pelo POPULAR ter autorizado a divulgar o verdadeiro nome ou fazer foto para essa reportagem. O dinheiro continua sendo o principal atrativo, mas não é o único."Como ainda sou nova, aproveito e só saio com alguém por R$ 250 a hora. Quando chego a R$ 2 mil por mês, não faço mais programas. Essa é a minha média, mesmo que, às vezes, me sinta tentada a ganhar mais, eu recuso", explicou ao POPULAR Andreia (nome fictício), de 20 anos.A jovem, que cursa faculdade, é uma das representantes do novo perfil das garotas de programa que dispensam cafetões, evitam o estereótipo das mulheres da rua e que frequentam bares, salões e universidades sem levantar suspeitas sobre o ofício.Para a família, que mora no interior, Andreia diz ganhar a vida com eventos em Goiânia. Em três linhas na seção "acompanhantes" dos classificados do jornal, ela descreve seus atributos. É com o anúncio que conquista a clientela ? a maioria homens casados e que querem sexo sem compromisso."Na verdade eles não pagam para ter sexo, pagam para a gente ir embora", teoriza. Andreia acredita que a realidade social do Brasil acaba levando meninas como ela para a prostituição. "As pessoas falam que é preguiça de trabalhar, mas onde mais eu receberia R$ 250 para trabalhar apenas uma hora? Por mais difícil que seja a vida, em relação ao dinheiro compensa. Posso me sustentar e estudar na esperança de um dia isso tudo acabar e esquecer essa fase."Nas ruas, as prostitutas estão sujeitas a tudo, até mesmo a serem mortas. As doenças sexualmente transmissíveis são outro risco inerente à prostituição. Muitas vezes a exigência pelo uso de preservativo é flexionada diante da necessidade de dinheiro. "Não fui ver Bruna Surfistinha e nem quero. A realidade da maioria das meninas é bem diferente", explica a garota de programa Cláudia, de 31 anos. Nascida numa família humilde no interior da Bahia, ela começou a trabalhar bem cedo como doméstica, aos 14 anos. Aos 18, veio sozinha para Goiânia tentar uma vida melhor.Aconselhada por uma amiga, acabou vendo na prostituição uma chance de sobrevivência. Já fez ponto na rua, mas agora, com receio dos riscos da noite, só atende por telefone divulgado em anúncio de jornal e sites de acompanhantes. "Não consigo enxergar nada de bom na prostituição, além do dinheiro", resume. Das esquinas imundas ao pontos de prostituição sofisticados frequentados por membros da alta sociedade goianiense ? como bem mapeou um relatório do Ministério Público de Goiás em 2009 ? a prostituição é um tema complexo que requer um debate sério. O mesmo documento afirma que Goiânia é hoje conhecida nacionalmente como centro de prostituição no País.Legalizar ou não?Apontada pelo senso comum como a mais antiga das profissões ? apesar de nenhum fundamento histórico ou antropológico comprovar a teoria ?, a prostituição sempre dividiu a opinião de governos, acadêmicos e pessoas comuns. Mesmo quem conhece profundamente o assunto tem dúvidas sobre como lidar com ele.Mas uma coisa merece um parêntese. A prostituição consentida entre adultos não deve ser confundida com a exploração sexual de crianças e adolescentes e o tráfico de seres humanos. Pela lei, prostituição não é crime. Toda pessoa é dona de seu corpo e pode usá-lo como quiser.Mas tirar proveito da prostituição, como agenciá-la, por exemplo, é crime. Atualmente, prostitutas são consideradas trabalhadoras informais e autônomas, sem leis específicas que determinem seus direitos e deveres ou que regulamentem sua atividade. Não pagam impostos, mas também não recebem benefícios."Sou a favor da formalização das relações de trabalho na prostituição, como o movimento organizado da categoria demanda", defende a professora Anna Marina Barbará Pinheiro, coordenadora do Laboratório de Estudos de Gênero da Universidade Federal do Rio Janeiro (UFRJ). Anna Marina é autora do livro As Meninas da Daspu, que reúne as experiências de vida e profissionais de oito prostitutas atendidas pela ONG Davida, criada e dirigida pela ex-prostituta (ou prostituta aposentada, como ela prefere) Gabriela Leite.TabusPara a pesquisadora, o fascínio que o corpo prostituído exerce, tanto nos homens quanto nas mulheres, tem a ver com a curiosidade pela própria sexualidade, numa sociedade em que este assunto ainda é tabu. "A presença da prostituição em todas as classes sociais chama a atenção para o fato de que a escolha desse ofício tenha a ver com fantasias e fetiches, inclusive com o dinheiro como fetiche", explica Anna Marina, que não concorda com as críticas que falam que o filme Bruna Surfistinha "glamouriza" a prostituição."A trajetória de Bruna apenas valoriza alguma coisa referida à prostituição e às mulheres que se prostituem que, em minha perspectiva, deve mesmo ser valorizado, que é o saber de ordem prática que elas adquirem sobre o sexo numa sociedade que não se relaciona com isso com muita liberdade", ressalta a pesquisadora.Todo mundo concorda que há muitas formas de uso comercial do corpo ? os dedos que digitam este texto, o corpo da manequim, a voz da telefonista, a mão que conduz o bisturi ?, mas nenhuma incomoda tanto quanto a venda de serviços sexuais.O filósofo e pensador francês Michel Foucault, em Vigiar e Punir, explicou que a insistente moralização do século 19 condenou a prostituição à semiclandestinidade. O forte estigma também persiste na constante comparação entre a prostituição, o lixo e o esgoto.Descritas como um mal necessário, por muito tempo, as prostitutas ficaram embaixo do tapete, na escuridão, com medo de levar pedradas, mesmo que simbolicamente. Parece ter chegado a hora de romper o silêncio.Do outro lado do balcão"Amante, mãe, amiga, psicanalista, assistente social, freira, escoteira, perua, conformista, revoltada... a prostituta é antes de tudo uma invenção masculina", explica o psicanalista e doutor em sociologia Daniel Lins na apresentação do livro O Cliente: O Outro Lado da Prostituição, de Francisca Ilnar de Sousa. Alimentada por uma rica pesquisa de campo ? na qual não faltou o apoio dos garçons, das madames e das próprias prostitutas ?, Ilnar mergulhou no universo de quem está do outro lado do balcão, de quem consome o corpo como mercadoria.Para ela, estudar o cliente significa antes de tudo entender os motivos que levam à perpetuação da atividade prostituinte ? que diferentemente do que se poderia imaginar não entrou em declínio com a liberação sexual das últimas décadas. Pelo contrário, alguns teóricos defendem que a liberação sexual não resolveu a questão do mundo das fantasias sexuais, um universo amplo, cheio de nuances, pouco discutido, muito menos compreendido. Um terreno que as prostitutas conhecem muito bem."Como falar de prostituição sem falar de um dos lados da moeda? Encontrei na minha pesquisa homens casados, solteiros, de diversas profissões e condição social, com necessidades distintas e que frequentavam o baixo meretrício. O que sei é que eles não procuram apenas sexo, mas também atenção, ombro, ouvidos, colo à disposição e alguém que os escutem sem censurar", explicou a pesquisadora em entrevista ao POPULAR. Para Ilnar, as prostitutas exercem um papel fundamental em uma sociedade que ainda distingue entre "sexo doméstico" e o "da rua".Em seu estudo, a professora mostrou que se é verdade que o cliente tem como objeto de desejo a mulher coisificada ? "visto que ele é incapaz de manifestar seu desejo por um corpo vivo, de uma mulher em carne e osso, livre, pensante" ?, o mesmo pode se dizer da prostituta em relação ao cliente. "Homem objeto, o cliente vale, no prostíbulo, o dinheiro que paga. Ele é o prostituto da prostituta e vice-versa", também observa Daniel Lins na apresentação da pesquisa de Ilnar, doutora em Ciência Sociais pela PUC/SP, que estuda o tema desde a década de 1980. Atualmente, Ilnar desenvolve pesquisa com ex-prostitutas em Fortaleza (CE).CautelaPara ela, a aceitação social do fenômeno Bruna Surfistinha deve ser analisado com certa cautela. "A história de Surfistinha somente é "perdoável" e aceita pela sociedade devido ao contexto de sofrimento que a levou a se prostituir, quer dizer, ela não é uma mulher ávida por sexo, muito embora em seu blog ela tenha dito estas e outras coisas do gênero que, acredito, tenha sido mais uma estratégia de marketing. Portanto, não é uma mulher fatal, mas mais uma vítima da sociedade. Além disso, é uma garota bonita, branca, inteligente, que não era viciada em sexo", enumera.É claro que essa imagem não é totalmente incorreta ? as profissionais do sexo são constantemente vítimas da violência ?, mas é justamente quando as prostitutas recusam esse tipo de imagem vitimizada, acredita Ilnar, é que elas conseguem mudanças no estereótipo da prostituição. "Muitas coisas têm mudado na forma de pensar a atividade. Uma delas é a do determinismo econômico: mulheres somente aceitam se prostituir para manter a sua sobrevivência e de sua família. Ainda hoje existe resistência em admitir a existência de mulheres prostitutas que não se enquadram nessa realidade."Prostituir por prazer e não por dinheiro é uma ideia que provoca arrepios até nos menos conservadores. "O corpo é um objeto de trabalho. Já atendi prostitutas que gostam do que fazem, que se sentem inteiras com seus parceiros e que têm prazer. Acho que não dá para generalizar as singularidades de cada sujeito", defende o psicólogo Wadson Arantes Gama, presidente do Conselho Regional de Psicologia de Goiás. Mas, em geral, a venda de serviços sexuais se torna uma das únicas opções para mulheres com baixo grau de escolaridade e poucas perspectivas de trabalho.Queira ou não, a venda de serviços sexuais existe e é encarada por muitos como profissão. No Brasil, o reconhecimento oficial pelo Ministério do Trabalho veio apenas em 2002, quando as "profissionais do sexo" começaram a ser aceitas nos registros do INSS. Porém somente em dezembro de 2010, após a travesti Lilith Prado, de 32 anos, de Mato Grosso, conseguir se tornar uma segurada da Previdência, o direito foi realmente efetivado. "Fatos como esse apontam que as mudanças realmente estão acontecendo, às vezes mais rápidas, outras nem tanto, mas efetivamente vão acontecendo", aponta o psicólogo Roberto Pereira, Coordenador do Centro de Educação Sexual (Cedus), ONG que desenvolve ações em educação sexual, saúde e cidadania com mulheres e travestis em situação de prostituição de rua no Rio de Janeiro A difícil vida fácilSe a história real de Bruna Surfistinha domina hoje as bilheterias e as prateleiras das livrarias, antes dela a ficção, sempre carregada com traços de realismo, já tinha descoberto o fascínio que as histórias de quem transforma o corpo em mercadoria exerce sobre o público. Livros, filmes, novelas e canções retratam e reforçam alguns estigmas da prostituição. Relembre abaixo algumas das mais notórias representações na ficção do território da prostituição.No cinemaDisque Butterfiled 8 (1960), de Daniel Mann - Filme que rendeu um Oscar de Melhor Atriz para Elizabeth Taylor, o longa conta a história de Gloria Wandrous (Taylor) uma garota de programa que tem vários romances, mas acaba se apaixonando por Weston Liggett (Laurence Harvey), um homem casado e cheio de problemas.Bonequinha de Luxo (1961), de Blake Edwards - Nesse drama com roteiro baseado em livro de Truman Capote, e que é ambientado na cidade de Nova York, Audrey Hepburn interpreta uma prostituta de luxo fascinada pelas joias expostas nas vitrines da joalheria Tiffany.Viver a Vida (1962), de Jean-Luc Godard - Em francês, a expressão "viver a vida" funciona como gíria para descrever a prostituição. A trama de Godard conta a história de Nina, uma garota bela e inteligente, mas pobre, que acaba virando prostituta em Paris para conseguir sobreviver.A Bela da Tarde (1967), de Luis Buñuel - Com Catherine Deneuve no elenco, o filme conta a história de Séverine, jovem, rica, casada com um cirurgião de sucesso e infeliz, que procura um discreto bordel para realizar suas fantasias sexuais e conseguir o prazer que seu marido não consegue lhe dar.Taxi Driver (1976), de Martin Scorsese - O filme marcou a estreia de Jodie Foster, aos 12 anos, no papel da prostituta Iris Steensma, que um dia entra no táxi de Travis Bickle, vivido por Robert De Niro. Travis torna-se obcecado em salvar a criança das ruas, apesar da completa falta de interesse da jovem pela ideia.Uma Linda Mulher (1990), de Garry Marshall - Melodrama açucarado que relembra o conto de fada de Cinderela e seu príncipe encantado, o filme traz Julia Roberts como uma prostituta contratada por um homem rico que só pensa em negócios, em viagem a Los Angeles, e que decide casualmente contratar uma garota de programa para passar a noite em um luxuoso hotel.Poderosa Afrodite (1995), de Woody Allen - Em Nova York, um casal adota um menino e com o tempo o pai adotivo (Woody Allen) decide saber quem é a sua mãe biológica do seu filho. Ele descobre que ela é uma prostituta chamada Linda (Mira Sorvino), que em filmes pornográficos usa o nome Judy Cum e que nem sabe quem é o pai do garoto. O pai adotivo decide então aconselhá-la a abandonar este tipo de vida.Na literaturaMemórias de Minhas Putas Tristes, de Gabriel García Márquez - O livro narra a história de um nonagenário cronista e crítico musical que, em seu aniversário de 90 anos, pretende presentear a si mesmo com uma noite de amor louco com uma adolescente virgem num bordel. Porém, ao vê-la dormindo, não tem coragem de acordá-la e se apaixona por uma garota adormecida.Tieta do Agreste, de Jorge Amado - O livro apresenta uma situação dramática clássica: a da mulher que volta rica e poderosa à cidade de onde fora expulsa 26 anos antes, quando ainda era adolescente. As prostitutas sempre fizeram parte do universo literário de Jorge Amado, autor também de Teresa Batista Cansada de Guerra.Nana, de Émile Zola - Filha de pai alcoólico e de uma lavadeira, Nana, medíocre artista de teatro, mas com um corpo de Vênus e uma sexualidade desequilibrada e vulcânica, torna-se no tipo perfeito da prostituta de luxo, da cortesã da sociedade francesa dos tempos do Segundo Império. Personalidade contraditória, atinge a riqueza à custa do comércio carnal.Lucíola, de José de Alencar - Quarto romance de José de Alencar, Lucíola toca na temática da prostituta regenerada. Lúcia é uma prostituta de luxo no Rio de Janeiro em 1855 e Paulo um jovem do interior pernambucano que fora para o Rio conhecer a corte e acaba se apaixonando por Lúcia, cortesã caprichosa, que vive à custa de ricos amantes, pelos quais manifesta, entretanto, um claro desprezo.Os Miseráveis, de Victor Hugo - O clássico do autor francês tem em Fantine como um dos personagens centrais da trama. A história se passa na França do século 19 entre duas grandes batalhas: a Batalha de Waterloo (1815) e os motins de junho de 1832.Na música Geni, de Chico Buarque - "(...)ela é um poço de bondade/ e é por isso que a cidade/vive sempre a repetir: joga pedra na Geni./Ela é boa de apanhar/ela é boa de cuspir./ela dá pra qualquer um, /maldita Geni."Rainha da Lapa, de Nelson Gonçalves - "(...) Esse pedaço/Que passa gingando em seu braço, Meu chapa./Já foi rainha da Lapa, Quando a Lapa era Lapa./Já destruiu corações/Aprontou confusões/Meu chapa/,Já foi rainha da Lapa/Quando a Lapa era Lapa."Mal Necessário, de Ney Matogrosso - "Sou um homem, sou um bicho, sou uma mulher./Sou a mesa e as cadeiras deste cabaré./Sou o seu amor profundo, sou o seu lugar no mundo./Sou a febre que lhe queima mas você não deixa./Sou a sua voz que grita mas você não aceita."Folhetim, de Chico Buarque - "Se acaso me quiseres, sou dessas mulheres que só dizem sim./ Por uma coisa à toa, uma noitada boa, um cinema, um botequim./ E, se tiveres renda, aceito uma prenda, qualquer coisa assim./ Como uma pedra falsa, um sonho de valsa ou um corte de cetim."Na TV Hilda Furacão (Ana Paula Arósio) ? Minissérie de 1998 adaptada da obra homônima de Roberto Drummond, a trama contou a história de uma moça de classe alta que se tornou a mais desejada prostituta da zona boêmia de Belo Horizonte na década de 1950.Ninon (Cláudia Raia), em Roque Santeiro (1985) ? As prostitutas nordestinas sempre foram representadas como "purificadas" de qualquer crueldade por uma espécie de "ingenuidade" típica da alegria dos bordéis da ficção.Bebel (Camila Pitanga), em Paraíso Tropical (2007) ? Um dos maiores sucessos de Pitanga na TV, Bebel era uma prostituta implacável, que fez de tudo para se dar bem. Linda, atraente e sem caráter, ditou moda.Capitu (Giovanna Antonelli), em Laços de Família (2000) ? Aos olhos da sociedade, apenas uma universitária. Na vida noturna, uma garota de programa que sustentava os pais.Nazaré (Renata Sorrah), em Senhora do Destino (2004) - Nazaré era uma prostituta ambiciosa que sequestra Lindalva, filha ainda bebê de Maria do Carmo, e faz com que seu amante acredite que ela deu a luz àquela criança.