Antes que o som dos cascos ecoe pelo campo e as cores das Cavalhadas tomem conta do horizonte, Pirenópolis já se move em outro compasso. Há uma espécie de suspensão no ar, um acordo silencioso entre passado e presente, em que a cidade inteira parece ensaiar o próprio coração. No ano em que a tradição celebra 200 anos, cada gesto cotidiano ganha densidade: preparar-se para a Festa do Divino é, também, preparar-se para pertencer. O festejo começa no dia 10 de maio, com o ensaio dos Cavaleiros, e termina no dia 26, no último dia de Cavalhadas. Mais do que um evento, a festa é uma construção comunitária. Desde janeiro, grupos se organizam para dar conta de cada detalhe, dos 24 cavaleiros aos terços, das folias às novenas. “A cidade para por causa da Festa do Divino. A gente começa a viver isso muito antes, é uma dedicação que vem de dentro”, afirma Séfora de Pina, presidente da Comissão Pirenopolina de Folclore. A rotina se adapta ao calendário da tradição, e cada morador, à sua maneira, encontra um papel nesse grande rito coletivo.