“Era uma noite fria de lua cheia. As estrelas cintilavam sobre a cidade de Santa Fé, que de tão quieta e deserta parecia um cemitério abandonado. Era tanto silêncio e tão leve o ar, que se alguém aguçasse o ouvido talvez pudesse até escutar o sereno na solidão.” Assim começa aquele que é o maior épico da literatura brasileira. É difícil encontrar paralelo ao que Erico Verissimo fez em O Tempo e O Vento, trilogia composta por O Continente, O Retrato e O Arquipélago. No século 20, ele tem similares, mas não em português. Essa produção impressionante é uma espécie de Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Proust. É algo como os três romances da saga dos Snopes, de William Faulkner. É um monumento em todos os sentidos, no melhor formato das narrativas que acompanham gerações. O homem que concebeu obra tão majestosa, que inseriu no nosso imaginário as aventuras e desventura do clã Terra Cambará e nos mostrou boa parte da história do Rio Grande do Sul via literatura morreu há 50 anos. Quando Erico Verissimo nos deixou em 28 de novembro de 1975, depois de sofrer um ataque cardíaco vinte dias antes de completar 70 anos de idade, seu nome já estava gravado e era celebrado como um dos maiores de sua geração. Além de O Tempo e o Vento, sua produção mais famosa e que ganhou uma adaptação com ares de superprodução para a TV em 1985, marcando os 10 anos da morte do escritor, Verissimo deixou outros títulos igualmente marcantes, como Incidente em Antares, Olhai os Lírios do Campo, Solo de Clarineta e O Senhor Embaixador.