No casarão da Escola de Artes Plásticas Veiga Valle, localizada acima da Praça do Chafariz na cidade de Goiás, a produção artística ganha escala de cores diferentes. Há 50 anos como um ponto de educação e cultura voltado para o ensino de artes na região, a escola presta homenagem à Veiga Valle, um dos maiores artistas do Estado, e que desenvolveu no século 19 uma série de ações no município com a promoção e profissionalização de artistas goianos. As comemorações do cinquentenário estão programadas a partir de maio, com atividades educativas e artísticas na cidade. Tombado no conjunto arquitetônico e urbanístico da cidade de Goiás como Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco, o casarão é palco de aulas teóricas e técnicas e recebe anualmente 200 alunos, entre crianças de oito anos, até pessoas mais velhas, acima dos 80. Há quase três anos o prédio passou por uma reforma em suas instalações e integra o ciclo de revitalização e requalificação do programa PAC Cidades Históricas, do Instituto de Patrimônio Histórico e Cultural (Iphan). Foram ampliadas as salas e houve extensão do acervo da escola, além de criar mobilidade e acessibilidade aos alunos.“Em 2001, quando a cidade recebeu o título de Patrimônio Mundial da Humanidade, foi fundamental para a consolidação da escola, com a ampliação dos salões de arte e reestruturação de um prédio muito antigo e que precisava de uma revitalização”, explica a diretora da escola, Marly Mendanha, também artista plástica e que está à frente do local há oito anos. De acordo com ela, a instituição é um exemplo de como a comunidade atua de forma colaborativa para a preservação da cultura e memória da região. “Hoje atendemos mais alunos, temos mais aulas e podemos promover a conscientização sobre a cidade”, explica Marly.Fruto de um movimento que começou na cidade de Goiás desde o início deste década, diferentes conexões entre universidades, como a Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Estadual de Goiás (UEG) e Instituto Federal Goiano (IFG), fazem com a Escola de Arte Veiga Valle se rejuvenesça com novos professores e atuantes das artes na região. “É muito comum ver ex-alunos da própria escola se tornando professores e dando aulas para pessoas que nunca imaginariam que pudessem fazer aulas de artes plásticas, por exemplo”, aponta a diretora. Atualmente, a escola oferece cursos como desenho, escultura, pintura, gravura, história da arte, conhecimentos gerais, canto e coral. Segundo Marly, o corpo docente vem multiplicando os conhecimentos sobre as artes entre as novas gerações. A relação entre aprendizado e produção artística se intercalam entre aulas fechadas, exposições dos próprios alunos abertas para a comunidade, além de romper as fronteiras com outras instituições de ensino. Há quase um ano, por exemplo, foi instalado um charmoso cineclube para os apaixonados por cinema e audiovisual. “O espaço se tornou um importante ponto de cultura”, reflete. ExperiênciaDe acordo com Marly, hoje o prédio se tornou pequeno para a quantidade de alunos que desejam realizar cursos na instituição. Tudo porque a procura quase dobrou na última década, reflexo da modernização da escola, do corpo docente e do desenvolvimento turístico que Goiás passa desde o seu tombamento. “A escola hoje amplia sua programação e desenvolve um serviço de valorização de artistas goianos e vilaboenses, como o próprio Veiga Valle, Octo Marques e Goiandira do Couto”, pontua.