“A construção de uma biografia exige um mergulho no tempo, uma busca incessante de cores e texturas de uma época.” O jornalista e escritor Leonencio Nossa, no final do prólogo de seu mais recente trabalho, define assim a aventura à qual se lançou mais de duas décadas atrás. Publicada em parceria pelos selos Nova Fronteira e Topbooks, a obra Guimarães Rosa, Biografia, em suas 800 páginas, se propõe a desvendar, com dezenas de entrevistas, pesquisas em acervos particulares e institucionais e o paciente amealhar de pistas e vestígios, que incluíram correspondências e fotos, quem foi o principal escritor brasileiro do século 20, aquele que construiu um universo na linguagem e na imaginação. Autor de clássicos como Grande Sertão: Veredas e Sagarana, médico e diplomata, homem que ajudou a salvar judeus da Alemanha nazista e a traduzir a identidade dos que viviam nas brenhas do interior, Guimarães Rosa, o filho mais ilustre da pequena Cordisburgo, Minas Gerais, fez de sua vida e obra uma aventura quase tão fascinante quanto às dos personagens que criou, como Riobaldo e Diadorim. Nesta entrevista exclusiva para o POPULAR, Leonencio fala de como foi escrever a biografia, de seu contato com as herdeiras do escritor – que no passado barraram obras do gênero –, da devoção de Rosa à literatura e de como Hugo de Carvalho Ramos foi uma fonte importante para sua criação.