O Oscar 2026 na categoria de Melhor Filme Internacional reafirma o cinema como espaço de memória, conflito e invenção ao reunir obras vindas de diferentes geografias que refletem, com rigor estético e densidade narrativa, as tensões do mundo contemporâneo. São filmes que entrelaçam dramas íntimos e contextos históricos, recusam o espetáculo fácil e apostam na força do olhar autoral. Mais do que uma disputa por estatuetas, a seleção deste ano destaca o cinema fora do eixo hollywoodiano como território de resistência. O POPULAR ouviu críticos, cineastas e outros profissionais goianos ligados ao audiovisual para falarem sobre as obras que concorrem ao prêmio. O AGENTE SECRETO (BRASIL) Direção: Kleber Mendonça Filho Para um filme que almeja tamanha envergadura histórica, funcionando quase como um contraplano de Ainda Estou Aqui, chega a ser frustrante a superficialidade com que O Agente Secreto estabelece seus antagonistas. Construídos na base de um maniqueísmo de fácil associação e absorção, os vilões acabam operando sob a lógica do ressentimento, muito em voga no cinema brasileiro dos últimos anos. Assim, uma pequena armadilha é criada: se esse fácil antagonismo contribui na busca pelo aplauso emocionado do público, também acaba sabotando parte de sua complexidade narrativa e histórica. Por outro lado, O Agente Secreto certamente demonstra habilidade em criar vínculo com o público de outras formas, tanto por meio da elaboração de um suspense narrativo, quanto, especialmente no caso do espectador brasileiro, por meio de um olhar muito cinematográfico no diálogo com a cultura popular, como a integração do carnaval pernambucano à narrativa. Além disso, brilha intensamente quando a direção de Kléber Mendonça Filho manifesta sua cinefilia, seja na forma de certos planos e movimentos de câmera, seja no Cine São Luiz do Recife como palco importante de parte da história e dos personagens. O carinho pelos filmes e pelo fazer cinema é evidente.