O professor Denis Venceslau conhece bem as metodologias de Paulo Freire. Educador social da Comissão Pastoral da Terra em Afogados da Ingazeira, no sertão pernambucano, ele não só se beneficiou com a pedagogia freiriana, como hoje a aplica. “A metodologia de Paulo Freire permite me conectar melhor com o cotidiano de trabalhadores e trabalhadoras, com a vida do povo, com a labuta diária”, observa. Filho de uma zeladora de cemitério e de um ferreiro, ele não tem dúvidas sobre o quanto conhecer as ideias de Freire mudou sua vida. “Se eu não tivesse o contato com elas ainda na juventude, não seria o que sou hoje.”Ele conta que a aproximação se deu, primeiramente, via Igreja Católica. “Fiquei encantado com o trabalho da CPT. Fui me aproximando da Pastoral aos poucos, sem entender muito, mas encantado. Porque quem vivencia Paulo Freire se encanta, até quem não o conhece”, garante. “Mesmo sem entender Paulo Freire naquela época, as ideias desse educador ajudaram a trilha do meu caminho. Acredito que se sua pedagogia, se sua vida, se suas ideias fossem mais disseminadas, não teríamos profissionais da educação criticando-o sem fundamento, não teríamos muitos alunos do campo deixando a escola.”A professora Maria Margarida Machado, da Faculdade de Educação da UFG, também tem vivências nesse sentido ao levar adiante projetos envolvendo a pedagogia de Paulo Freire em turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA), de idosos e, em certo momento, até com centros de educação noturna espalhados por Goiânia. Um deles chegou a contemplar trabalhadores da limpeza urbana, com aulas dentro da Comurg para quem desejava se alfabetizar. “Foi muito interessante, mas é preciso lembrar que, para esses métodos se efetivarem, é necessário haver a formação de professores nessa pedagogia.”“Houve muitas experiências educacionais no Brasil inteiro e em Goiânia, entre 2001 e 2004, sob a gestão da professora Walderês Nunes Loureiro, buscaram implementar uma prática educativa que tivesse a perspectiva pedagógica de Paulo Freire como fundamento”, recorda Aldimar Jacinto, da PUC Goiás. “Experiências que produziram ótimos resultados no sentido de proporcionar o acesso dos estudantes dos setores populares ao conhecimento científico sistematizado e às experiências educativas que proporcionaram aos professores e educandos uma imersão em sua realidade histórica e social no sentido de compreendê-la.”