Antes de virar linha no papel, todo território já foi chama. É dessa ideia, de mapas que queimam, se desfazem e se reinventam, que nasce Mapas em Brasa, exposição que será aberta nesta terça-feira (21), na galeria da Faculdade de Artes Visuais da UFG, reunindo quase 40 artistas em torno de uma cena contemporânea em ebulição.Com curadoria de Lucas Dilacerda, a mostra articula uma geração diversa de artistas que investigam as múltiplas camadas do território. Participam nomes como Dalton Paula e Lucélia Maciel, do Sertão Negro, além de cinco indicados ao Prêmio Pipa deste ano: André Felipe Cardoso, Carlos Monaretta, Hal Wildson, Sophia Pinheiro e William Maia.A exposição parte da noção de que todo território é uma construção histórica, política e também colonial. Ao tencionar essa ideia, as obras ampliam o conceito para além da geografia, alcançando dimensões subjetivas, raciais, de gênero e de modos de vida. Aqui, território deixa de ser apenas espaço físico para se tornar experiência.Nesse contexto, a arte aparece como campo de ficção e contra-ficção. Um espaço onde narrativas dominantes são reescritas e onde mapas oficiais perdem sua rigidez. As obras não buscam orientar, mas desorientar, criando cartografias instáveis, abertas e em constante transformação.O título da exposição sintetiza esse movimento. Mapas em Brasa aponta menos para a destruição e mais para a transformação: o fogo como força que consome, mas também recria. As fronteiras, aqui, estão em combustão, entre humano e não humano, entre natureza e artifício, entre centro e margem.Da queima emergem imagens híbridas, corpos indomáveis e paisagens que recusam a fixidez. A produção contemporânea goiana se revela atravessada por disputas simbólicas em que o território vira corpo vivo, enquanto o corpo se inscreve como memória, desejo e política.A mostra também desloca o olhar sobre o sertão, o interior e o Cerrado, que deixam de ocupar um lugar periférico para assumir centralidade simbólica. Forças não humanas, como animais, plantas e minerais, atravessam as obras, rompendo fronteiras e propondo outras formas de existência e convivência.Entre rituais, fragmentos e fabulações, Mapas em Brasa não propõe um novo desenho do mundo, mas outra forma de habitá-lo: menos baseada em limites e mais em confluências. Um convite a permanecer no instante em que os mapas deixam de ser certeza e começam a arder.ServiçoEvento: Exposição Mapas em BrasaAbertura: nesta terça-feira (21), das 18h às 21hLocal: Galeria da FAV – Faculdade de Artes Visuais da UFG, Avenida Esperança, s/n, Câmpus Samambaia (Câmpus 2)