Não é de hoje que esportes pé na areia conquistam adeptos em cidades distantes do litoral como Goiânia. Depois do futevôlei, vôlei de praia e futebol de areia, chegou a vez do beach tennis ser coroado como o queridinho das quadras. Mistura de vôlei de praia com o tênis, porém, sem as regras técnicas das modalidades, o beach tennis é dinâmico e considerado de fácil aprendizado. As divertidas partidas são disputadas em duplas e as regras se resumem em rebater a bolinha para o outro time, sem deixá-la pingar no chão.O que pouca gente sabe é que a prática exige cuidados especiais para evitar lesões, em especial, nas mãos, punho e antebraço. Entusiasta do esporte, o advogado Kisleu Ferreira, de 45 anos, conta que passou a praticar fortalecimento muscular justamente para evitar problemas. Entre todas as lesões, a mais recorrente no beach tennis é a epicondilite lateral, conhecida como cotovelo de tenista. Essa condição causa dor intensa provocada pelo uso excessivo dos braços, antebraços e mãos.“Parei de jogar tênis justamente porque tinha muito impacto e tive problemas com joelho e quadril. Fui para o beach tennis por recomendação do meu ortopedista”, conta Kisleu. Logo no início do novo esporte, ele sofreu uma lesão na panturrilha. Os muitos pulos e o piso instável da areia causaram o problema. “Um amigo lesionou a posterior da coxa e outros tantos tiveram epicondilite lateral”, conta. Para prevenir dores e lesões, a solução foi apostar na musculação duas vezes por semana com foco no fortalecimento de áreas como mãos, punho e antebraço.Médico ortopedista e cirurgião da mão, Henrique Bufáiçal explica que as lesões mais comuns relacionadas a atividades físicas podem ser distribuídas em dois grandes grupos: traumáticas e as degenerativas. “No grupo das traumáticas estão as fraturas, luxações e contusões. Nas degenerativas, as tendinites, sinovites, que são inflamação de alguma articulação, e rupturas degenerativas de estruturas ligamentares”, explica. No beach tennis, os casos de fraturas são mais raros do que nos esportes coletivos de contato.Henrique acredita que a popularização do beach tennis fez com que muitas pessoas passassem a praticar pela primeira vez um esporte com raquete. Apesar de na modalidade, as raquetes serem mais leves do que as de tênis e as bolinhas possuírem menos pressão, o instrumento pode contribuir para a sobrecarga articular, tendinosa e ligamentar, levando a lesões variadas. “O tênis já é amplamente conhecido como um esporte causador de lesões nos punhos e mão, muitas vezes, relacionadas ao uso inadequado da raquete”, explica o médico.É comum, de acordo com o especialista, praticantes de tênis ou squash, por exemplo, terem lesões no punho de componentes ligamentares, de caráter degenerativo ou desgaste, e também por processos inflamatórios como tendinites e sinovites. Vôlei, handebol, basquete, escalada e boxe são algumas das outras modalidades que exigem cuidado redobrado com as mãos. Mesmo com todos os cuidados e precauções, as lesões e traumas são, muitas vezes, inevitáveis e acontecem devido às quedas, choques entre os atletas e a bola, repetições contínuas e manuseio inadequado de instrumentos como a raquete. Tratamento O tratamento das lesões nas mãos pode variar bastante, indo desde medicamentos, afastamento do esporte, passando por fisioterapia e infiltrações e chegando a cirurgias. “Em alguns casos de fraturas, luxações ou lesões ligamentares a cirurgia pode ser indicada com mais urgência. Traumas esportivos são de difícil prevenção já que dependem em várias vezes de acidentes e fatores que não podem ser controlados”, explica.Quando se trata de lesões por sobrecarga ou degenerativas, as orientações são sempre praticar aquecimento correto antes do início das atividades, seguir um caminho de progressão lenta em relação à intensidade da prática esportiva e estar atento à qualidade dos equipamentos utilizados. Ter orientação de um educador físico durante o início da prática da modalidade também é uma forma de prevenir lesões e aproveitar melhor os benefícios do beach tennis.Esportes de raqueteApesar de ocupar uma porção pequena do corpo, a mão é uma das regiões do corpo com maior número de ossos e também uma das mais acometidas por fraturas. As lesões em punho e mãos são comuns em esportes de raquete como o beach tennis e o tênis. “No tênis, por exemplo, as lesões nas extremidades inferiores são principalmente agudas e resultam de eventos traumáticos. Já as lesões nas extremidades superiores são fundamentalmente crônicas e resultantes de uso excessivo e repetitivo. No punho é muito comum também as tendinopatias”, explica a médica ortopedista e cirurgiã da mão Renata Pedra. Para a especialista, as pessoas deveriam dar mais atenção à prevenção de fratura nesta parte do corpo. “A mão é o principal órgão de defesa, portanto, apresenta grande porcentagem de traumas em todas as faixas etárias. Temos traumas com ferimentos em mãos, como as lesões nas pontas dos dedos, muito comuns em crianças.Já em adultos e jovens, as fraturas e lesões ligamentares são bem prevalentes. No caso dos idosos, as fraturas de punho apresentam um pico devido à incidência de queda da própria altura com trauma direto do membro”, explica.