Setembro chega ao fim em Goiânia carregando uma velha conhecida: a secura. Quinze anos atrás, ela era matéria-prima para Jarleo Barbosa em Julie, Agosto, Setembro, curta-metragem que transformou o calor, a espera pela chuva e o Centro da capital em elementos de uma história que ultrapassaria as fronteiras de Goiás. Agora, o diretor acaba de concluir as filmagens de Exterminadora, seu novo longa-metragem, novamente ligado à região da cidade, embora de uma maneira menos evidente e mais simbólica. A volta ao Centro não é apenas geográfica. Para Jarleo, a região ocupa um lugar particular em sua trajetória. Nascido em Anápolis, ele chegou à capital ainda jovem e encontrou na cidade uma espécie de território de descoberta. “Mudar para Goiânia foi um dos acontecimentos de maior impacto na minha vida”, afirma. É desse estranhamento inicial que ele reconhece o vigor de Julie: “O filme tem esse frescor de alguém que está olhando para a cidade com um olhar de novidade, uma espécie de pasmo”.