“Sou tímido e espalhafatoso”, diria Caetano Veloso, para em seguida descrever, nesse paradoxo aparente, os traços do arquiteto catalão Antoni Gaudí. É uma definição possível, uma entre várias que cabem a uma obra, a uma assinatura tão singular e genial, tão revolucionária e hipnótica. Basta entrar na nave da estonteante igreja da Sagrada Família, em Barcelona, que desde este mês de junho, tornou-se o templo católico com a torre mais alta do mundo. Um projeto que está sendo finalizado quase 150 anos depois de seu início e um século após a morte daquele que o concebeu. O Papa Leão XIV esteve na capital da Catalunha para inaugurar mais esta fase da obra monumental, que tem previsão de ser concluída em 2028. O pontífice também visitou o túmulo de Gaudí, dentro da igreja. As dimensões da Sagrada Família são, de fato, impressionantes. A nova torre, batizada de Jesus Cristo, tem nada menos que 176 metros de altura, o equivalente a um prédio de quase 60 andares. Ao todo, são 18 pináculos, homenageando os 12 apóstolos, os 4 evangelistas, a Virgem Maria e Jesus Cristo, ricamente ornados com estátuas, cenas e peças de cerâmica trabalhadas à mão. Vários documentários já mostraram o desafio de engenharia que foi colocar a Basílica de pé, seguindo o projeto de Gaudí. Isso porque suas formas são fluidas, com a chamada “floresta de colunas”, em que as estruturas se parecem com caules, numa comunhão perfeita entre o rústico (pedras e técnicas especiais de concretagem) e as cores de vitrais de formas peculiares, fabricados em formatos inéditos.