"Você não vai sair amanhã. Tem que estudar!" "Anão mano. Deixa eu ir, vai ser mó várzea." "O que é várzea??????" "Esquece. Eu vou sim." "Esquece o quê???" "A várzea. -1.000 aura." "Você está perdendo o português, minha filha." Exposta nas redes sociais por Ingrid Guimarães, esta troca de mensagens entre a atriz e sua filha Clara, de 16 anos, viralizou ao mostrar o choque de linguagens entre mães e seus filhos da geração Z (nascidos entre 1997 e 2012). De um lado, abreviações, memes e códigos quase indecifráveis. De outro, a tentativa de entender um vocabulário que muda em um ritmo difícil de acompanhar. O dialeto dos jovens, marcado por referências do mundo digital, tem transformado a comunicação dentro de casa, muitas vezes desafiando o português tradicional e a paciência das mães. "Tem hora que eu falo: 'Oi? Repete, não entendi'", conta Andreia Borges, líder operacional na Escola Veredas, em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo. Ela é mãe de três representantes da geração Z: Julia, João Vitor e Júlio César, de 25, 22 e 17 anos, respectivamente.