O que faz uma pessoa sair da sua terra natal e ir morar em outra cidade? O Globo Repórter desta sexta-feira (6) revela as transformações recentes nos fluxos de migração no Brasil e apresenta histórias por trás de mudanças identificadas pelo Censo do IBGE de 2025. Os dados apontam novas tendências nas movimentações populacionais: o forte crescimento de Santa Catarina como principal destino de migrantes, a saída crescente de moradores da capital paulista rumo ao interior e o movimento inédito que fez da Paraíba o único Estado do Nordeste que mais ganhou do que perdeu população.O programa percorre o Brasil de Norte a Sul para entender o que motiva essas escolhas: trabalho, segurança, qualidade de vida ou proximidade da família? A repórter Jalília Messias viaja de ônibus com a paraense Solange que, depois de 25 anos trabalhando em uma casa de família, deixa Belém, sua cidade Natal, para viver em Joinville, em Santa Catarina, onde moram quatro de seus cinco filhos. A história dela reflete o aumento de paraenses no Estado: entre 2017 e 2022, Santa Catarina recebeu 500 mil novos moradores vindos de outras regiões — 44 mil apenas do Pará.A migração interna também se reinventa em São Paulo. Depois de décadas marcadas pela chegada de pessoas à capital, cresce o movimento no sentido inverso. Em Jundiaí, cidade da região metropolitana que mais cresceu, a repórter Janaina Lepri encontra os médicos Felipe e Gabi, que trocaram a rotina intensa da capital por mais estabilidade no interior, sem abrir mão da carreira.No Nordeste, a Paraíba é destaque: foi o único Estado da região a registrar crescimento populacional entre 2017 e 2022, com mais de 119 mil novos moradores em cinco anos. Lá, a repórter Bianka Carvalho conta a história de Luiz Henrique, médico da saúde da família que deixou Jaboatão dos Guararapes, em Recife, para cursar medicina na Paraíba. De origem humilde, ele realiza o sonho de se tornar médico e protagoniza um reencontro emocionante com a mãe, depois de cinco anos. Ela relata a dor de não ter participado da formatura do filho, cerimônia à qual ele compareceu como convidado por não poder arcar com os custos. “Um menino pobre, preto, filho de empregada doméstica sair para outro Estado, cursar um curso que é extremamente competitivo e difícil de passar, se formar e conquistar isso, é gigantesco”, ressalta Luiz Henrique. Em Joinville, o repórter Jean Raupp apresenta a trajetória do professor paraense Luis Carlos, que se mudou para a cidade catarinense em busca de novas oportunidades. Hoje, ele dá aula na rede municipal de ensino e coordena um projeto de enfrentamento ao preconceito, à xenofobia, promovendo rodas de conversa e atividades que fortalecem o senso de pertencimento entre os estudantes. “Sei que vai existir diferença, mas o meu papel como professor não é só ouvir, é incentivá-los a lutar contra, a buscar uma transformação e uma mudança para que eles não se conformem com aquilo. Porque hoje eles são essa geração, mas em breve serão os pais dos filhos que virão para escola. E, talvez, por meio deles, esse preconceito acabe”, afirma Luis Carlos.