O que diferencia uma geração da outra? Como as experiências de cada época influenciam a maneira de trabalhar, formar uma família, se relacionar ou enxergar o futuro? O Globo Repórter desta sexta-feira (25) mergulha nas histórias de brasileiros de diferentes idades para entender como as gerações ajudam a explicar mudanças que atravessam décadas da vida do País. As reportagens são de Graziela Azevedo.Nascido e criado na Maré, Zona Norte do Rio de Janeiro, Raphael Vicente ficou conhecido por produzir vídeos de humor com a família. O carioca começou a ganhar projeção nas redes sociais em 2020 e hoje soma mais de 4 milhões de seguidores. Entre danças, vídeos, sonhos compartilhados e muitas brincadeiras, a avó Maria Antônia, a filha Lucilene, a neta Lau e os jovens Raphael e Maria Eduarda revelam como cada geração enfrentou desafios distintos, mas manteve laços de afeto que atravessam o tempo. “Meu filho foi embora, largou os pequenininhos. Eu tive de trabalhar muito mais para criar os dois netos”, lembra Maria Antônia. A trajetória da família também expõe as transformações na educação, no mercado de trabalho e nas oportunidades de ascensão social ao longo das décadas. Raphael reconhece o legado recebido: “A gente é o que é hoje por conta de toda a nossa criação. Elas tiveram de correr para a gente andar”.O programa mostra como surgiram as classificações que reúnem gerações como baby boomers, X, millennials, Z e Alfa. Especialistas explicam que, mais do que rótulos, elas ajudam a compreender como acontecimentos históricos, mudanças econômicas e avanços tecnológicos moldaram comportamentos, valores e expectativas ao longo do tempo.As diferenças também aparecem na linguagem. Com a ajuda de especialistas e adolescentes da geração Z, Graziela Azevedo explora o universo das gírias que nascem e se espalham pelas redes sociais em ritmo cada vez mais acelerado. “A gíria é uma senha de pertencimento”, explica a psicóloga Paloma Garcia. A reportagem compara expressões atuais com termos populares de outras épocas e mostra como a linguagem funciona como uma forma de identificação entre diferentes grupos. “Quando os pais começam a usar, ela perde o sentido para os jovens”, afirma.Três mulheres da mesma família ajudam a ilustrar as mudanças no papel feminino ao longo das gerações. Maria Paiva, uma baby boomer que se casou aos 17 anos, divide experiências com a filha Lilian, da geração X, e a neta Carol, da geração Z. Entre conversas sobre casamento, carreira, independência financeira, maternidade, relacionamentos e padrões de comportamento, as três refletem sobre conquistas, desafios e aprendizados compartilhados entre gerações. “São ajustes constantes que a gente tem que fazer”, resume Lilian.O Globo Repórter também acompanha famílias que ajudam a compreender transformações demográficas importantes do Brasil, como a redução do número de filhos por mulher e as mudanças na percepção sobre o envelhecimento. Mulheres que antes eram associadas quase exclusivamente ao papel de avós e cuidadoras agora reinventam essa fase da vida. É o caso de Vilma Souza, que criou a filha sozinha e hoje, aos 64 anos, se prioriza. “Eu nunca me vi como idosa, com cabelo branquinho, como era antigamente. Eu sou moderna, gosto de ser elegante, com tudo bonitinho”, afirma. Em São Carlos, um projeto universitário aproxima idosos e crianças da geração Alfa para estimular a convivência entre diferentes faixas etárias e combater preconceitos relacionados à idade. O programa também investiga os impactos das transformações no mundo do trabalho. Rafaella Russo, de 26 anos, é uma representante da geração Z que trocou o curso de Direito pelo empreendedorismo na moda e agora vive as dúvidas e possibilidades de um mercado cada vez mais dinâmico. “A vida é feita de começos e recomeços. Eu acho que estou nesse processo”, diz. Já o humorista Júnior Chicó, da geração millennial, relembra a decisão de abandonar uma carreira estável para viver da comédia. “Aos 30 anos, recomeçar uma parada dessas parecia loucura”, reconhece. Hoje, ele vê sua trajetória como reflexo de uma geração que passou a buscar mais sentido e realização nas escolhas profissionais.