Se ninguém passou por lá depois de 21 de julho de 1969, a pegada que o astronauta Neil Armstrong deixou na empoeirada superfície da Lua ainda deve estar intacta. Afinal, ao que tudo indica, foi o primeiro passo de uma criatura dotada de inteligência naquela superfície na história de milhões de anos do principal satélite natural da Terra. Além de ser uma das conquistas científicas mais espetaculares do século 20, a viagem espacial que levou a missão Apolo 11 tão longe também influenciou a imaginação humana.A conquista transformou os mistérios que a Lua sempre exerceu. Essa regente das marés, essa guia das colheitas, essa peça fundamental de cada horóscopo, a inspiradora de poesias e canções, destinatária de lamentos e devaneios, tornou-se também uma matéria rochosa, sem vida aparente, salpicada por vales profundos e cumes enormes. Passou a ser um troféu da Guerra Fria – quem chegaria primeiro, americanos ou soviéticos? – e objeto de estudo de cientistas pouco românticos.No centro espacial Johnson, em Houston, Texas, Sul dos Estados Unidos, o visitante pode acompanhar um pouco dessa história que levou aqueles três homens à Lua pela primeira vez. Neil Armstrong, Edwin “Buzz” Aldrin e Michael Collins começaram a decolar quando, no final da Segunda Guerra Mundial, um cientista alemão e sua equipe fizeram um acordo com as tropas aliadas. Eles não seriam presos ou julgados como os demais nazistas. Ao contrário, seriam contratados.Werhner Von Braun rendeu-se ao inimigo antes da derrocada final do Reich alemão, sendo levado, com seus principais assistentes, para os Estados Unidos. Era um gênio e seus talentos únicos não poderiam terminar em Nuremberg. A Segunda Guerra estava no fim e Hitler havia sido derrotado, mas outro conflito estava apenas no início e um ex-aliado agora era o alvo. A Guerra Fria opôs as potências nucleares EUA e União Soviética e os americanos queriam superar os russos na conquista do espaço.foguetesBraun aterrorizara os ingleses ao inventar uma máquina demoníaca, os famigerados foguetes V-2, que foram lançados aos montes sobre Londres, levando terror à população civil. As armas nem sempre eram precisas, mas tinham potencial destrutivo imenso e contavam com tecnologia de propulsão revolucionária. Foi isso o que despertou o interesse dos americanos. O desenvolvimento da arma levou à criação dos foguetes que levaram as naves Apollo ao espaço, os Saturn V.Esse contexto geopolítico também motivou o então presidente John Kennedy a lançar, em discurso no Congresso dos EUA em 1961, o desafio de fazer o homem chegar à Lua. Ainda no centro espacial de Houston, o púlpito que JFK usou em sua primeira visita é mantido como relíquia no auditório principal. Braun, protegido de Hitler, desfilou em carro aberto com Kennedy. O ex-presidente também foi à Flórida conferir os protótipos do Saturn V, mas foi assassinado antes de ver seu projeto se realizar.O processo, porém, estava lançado e houve percalços. Em 1967, no primeiro teste de oxigênio do foguete com humanos, três astronautas – candidatos a comporem a tripulação que chegaria à Lua – foram carbonizados. Outras missões vieram em seguida, com a detecção de novas falhas, que precisaram ser corrigidas. Os soviéticos, que haviam colocado em órbita o primeiro ser vivo – a cadela Laika – e o primeiro homem – Yuri Gagarin – faziam testes simultaneamente.A decolagem da Apolo 11, ocorrida em 16 de julho de 1969, quase foi abortada por conta de um alerta na nave, mas o comando da Agência Espacial Americana, a Nasa, decidiu correr os riscos. Após um voo de quatro dias, aproximou-se da Lua e o módulo Eagle foi desacoplado. Tudo era milimetricamente calculado. Quando o veículo pousou na superfície lunar – inaugurando o termo alunissagem –, ele só tinha cerca de 15 segundos de combustível para a operação. E o astronauta Armstrong informou que havia poeira.Ao todo, esse primeiro contato durou pouco mais de duas horas, período em que foram coletados 21 kg de pedras e outros materiais para análise. Tudo foi transmitido ao vivo pela TV, incluindo a comunicação entre Armstrong e o presidente dos EUA Richard Nixon. Uma bandeira foi fincada para marcar a conquista. Naquela missão, Aldrin também desceu na Lua. Collins permaneceu no comando. Ao todo, 12 pessoas pisaram sua superfície até a última aventura do gênero, realizada em 1972. -Imagem (Image_1.1845252)-Imagem (1.1846410)