Um apartamento abarrotado de quadros, molduras, desenhos, papéis, pincéis e tintas por todos os cantos – nem o banheiro e a cozinha escapam. Para alguém entrar, algumas telas precisam sair. Nesse espaço de apenas 50 metros quadrados nasceu a maioria das 78 obras (desenhos sobre papel e telas) que o artista plástico goiano Fernando Costa Filho, 64 anos, vai expor e na mostra Desenhação, cuja abertura será hoje, às 20 horas, na Galeria de Arte Frei Nazareno Confaloni, no Centro Cultural Octo Marques, Edifício Parthenon Center. A mostra, que recebeu apoio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, ficará aberta para visitação a partir de amanhã até 30 de julho. A entrada é gratuita e a curadoria é da artista e professora Selma Parreira. A exposição integra um projeto maior, que envolve lançamento de um vídeo, de um livro, ações educativas e visitas monitoradas relacionadas ao desenho de forma geral. Segundo a curadora, os trabalhos reunidos resumem bem a carreira de Fernando. Entre eles, estão as formas geométricas, o grafismo, as paisagens, os santos, os animais e as figuras noturnas, temas recorrentes do pintor. “Ele tem uma produção constante que se caracteriza pela criatividade, gestualidade e muita sensibilidade para abordar diversos assuntos. A liberdade de seu gesto e o comprometimento com a poesia e o lúdico muitas vezes lhe conferem características infantis”, define ela. Depois de três anos, o artista volta a participar de uma exposição individual na capital com obras que representam quatro décadas de trabalho e contam a história do desenho contemporâneo de Goiás, por meio de temas que vão do religioso, com suas madonas, a objetos do cotidiano e símbolos diversos. “Não são pinturas inéditas, mas dão vida aos mais diversos sentimentos vividos ao longo da minha carreira. É como se eu tivesse acordado e visto, de repente, todo o trabalho que fiz”, diz Fernando. Para dar vida à espontaneidade de seus desenhos, Fernando prefere usar processos e técnicas que permitem mais intimidade e aproximação entre seu gesto e o plano onde desenvolve seus traços. Para isso, escolhe grafite, lápis de cor, giz de cera, tubos de tintas, entre outros materiais. “Assim, me sinto mais à vontade no processo de transformar o impulso em registro gráfico, sem um filtro entre a memória, a emoção e o traço. É como um mergulho no espaço, um momento indefinido que oscila entre consciência e delírio”, analisa-se. Ele conta ainda que não costuma fazer projetos, rascunhos ou estudos preliminares para criar os desenhos e pinturas. “Acredito que os faço apenas mentalmente. Concentro-me para produzir uma obra impregnada de emoção, poesia e sem preocupações formais na maioria das vezes. Afinal, creio que a experiência adquirida com muitos anos desenhando tenha me creditado uma memória estética”, complementa. Exposição: Desenhação – Mostra que reúne 78 obras (desenhos sob papel e telas) do artista Fernando Costa Filho Abertura: Hoje, às 20 horas Local: Galeria de Arte Frei Nazareno Confaloni, no Centro Cultural Octo Marques, Edifício Parthenon Center (Rua 4, nº 515, mezanino, Centro) Período de visitação: De amanhã a 30 de julho Horário de visitação: De segunda a sexta-feira, das 9 às 12 horas e das 14 às 17 horas Mais informações: 3201-4695-Imagem (Image_1.342695)-Imagem (Image_1.342696)-Imagem (Image_1.342697)-Imagem (Image_1.342694)