Era novembro de 2010. Em uma visita informal ao apartamento de Fernando, Selma Parreira se deparou com uma situação inusitada e caótica. A sala, corredor e outras dependências do lugar estavam entupidos de obras, pinturas, muitos desenhos emoldurados, pilhas de telas, pastas e rolos de papéis, além dos móveis. O caos ali instalado foi por consequência de um temporal ocorrido em Goiânia dias antes e que inundou o ateliê do artista, que funcionava no andar superior da cobertura do prédio em que mora. “Estava viajando e quando cheguei encontrei muitos trabalhos boiando e fui obrigado a transferir tudo para minha casa”, recorda-se Fernando. Essa inusitada situação permitiu à curadora entrar em contato com um grande número de obras do artista que não conhecia ou não se recordava mais. “Nesse conjunto constavam algumas inéditas, nunca expostas, outras eram trabalhos premiados que ele guarda como referência de suas experimentações estéticas. Várias obras dessa coleção são datadas e remetem ao início de sua carreira, entre os anos 60 e 70, outras mais recentes e algumas da atualidade. A ideia de uma exposição ao ver tanta coisa boa, portanto, foi instantânea”, lembra-se Selma. Depois disso, a curadora conta que visitou o artista outras vezes e juntos organizaram pastas de desenhos, colagens, álbuns de gravuras e outras experimentações de técnicas mistas sobre papel até chegar aos 78 quadros que serão expostos. “Apesar de acompanhar e conviver há muitos anos com a obra dele, a coleção me deixou fascinada e juntos assumimos o desafio de selecionar, organizar e apresentar possibilidades de diálogos e leituras de uma produção diversificada e de períodos distintos”, explica ela.