A timidez do escritor, cronista e jornalista Luis Fernando Verissimo é notória. Ele fala baixo, sorri discretamente e prefere ouvir mais do que conversar. Melhor dizendo, prefere escrever, para nossa sorte. Apesar desse temperamento reservado, em várias oportunidades ele concedeu entrevistas a O POPULAR, como quando esteve em Goiânia, em 2004, lançando, ao lado dos amigos Zuenir Ventura, Moacyr Scliar e Carlos Heitor Cony, os volumes da coleção Vozes do Golpe. Antes disso, porém, em 2003, ele havia conversado com o jornalista Rogério Borges sobre um outro livro, Banquete com os Deuses, um antologia de crônicas na qual elencou aquelas personalidades que marcaram sua vida em diferentes fases. “Não sei se os citados me influenciaram, mas como me interessaram e me deram prazer, alguma coisa deve ter ficado. Acho que a gente é a soma do que viu, ouviu, leu e gostou na vida, mesmo quando não se dá conta”, apontou. “Tudo o que acontece com o livro depois de escrito, depois do ponto final, tem pouco a ver com o autor, a não ser quando ele se dedica à promoção do próprio livro, o que é perfeitamente respeitável, mas não é o meu caso.” No trabalho, ele cita várias referências culturais, mas não o seu próprio pai, Erico Verissimo, um dos maiores romancistas brasileiros do século 20. “Nem sobre ele, nem sobre dezenas de outros escritores. Poderia ter, mas aí entra um certo pudor familiar.”