“Pelo amor que tenho a todas as estórias de Cordel, que este livro assim o seja, assim o quero numa ligação profunda e obstinada com todos os anônimos menestréis nordestinos, povo da minha casta, meus irmãos do Nordeste rude de onde um dia veio meu Pai para que eu nascesse e tivesse vida.” Esta é a dedicatória que inicia a obra Meu Livro de Cordel, da poeta Cora Coralina. A primeira vez que o público teve a oportunidade de lê-la foi há 50 anos, quando a extinta Editora Cultura Goiana lançou a obra pela primeira vez. A autora ainda não gozava de fama nacional, que se avizinhava nos próximos anos, mas seus versos já guardavam um poder lírico que a faria uma das autoras brasileiras mais cultuadas nas décadas seguintes. Além disso, é uma obra, como a dedicatória prenuncia, do coração. “Meu Livro de Cordel já abre com essa homenagem que Cora faz aos nordestinos, pelo amor que ela tem a todas as histórias e poesias de cordel”, destaca Marlene Velasco, diretora do Museu Casa de Cora, na cidade de Goiás. Aliás, o antigo imóvel da escritora, nas margens do Rio Vermelho, tem um papel importante na elaboração da obra. “Ela escreveu este livro aqui, na Casa Velha da Ponte. É o segundo livro dela. Do primeiro, Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, ela trouxe os rascunhos de São Paulo”, informa Marlene. Na prática, é um livro da segunda retomada da carreira da poeta. Ela escreveu poemas e contos na juventude ainda na antiga capital goiana. Quando retornou, após décadas, lançou Poemas dos Becos de Goiás em 1965, pela Editora José Olympio.