Um país refundado a partir de uma revolução e mais uma vez reconstruído a partir de uma morte. No centro desses dois acontecimentos fundamentais está a figura de Mao Tsé-Tung, o líder chinês que tomou o poder em 1949 após conflitos sucessivos trazidos pela luta contra o Japão, antes e durante a 2ª Guerra Mundial, e pela conflagração interna entre nacionalistas e comunistas, que continuou nos anos seguintes. Há 50 anos, esse homem, filho de camponeses, politizado, um dos fundadores do Partido Comunista Chinês, morreu aos 82 anos, deixando como legado a reestruturação de uma das maiores nações do mundo, mesmo a custos humanos altos. Um gigante que mantém um regime político fechado, mas que soube se reposicionar na arena global, virando superpotência. Mao Tsé-Tung lutou em guerrilhas comunistas que vinham combatendo tropas japonesas invasoras, na Segunda Guerra Sino Japonesa, que começou em 1937 e se estendeu até o fim da 2ª Guerra Mundial, em 1945. Quando o Japão foi derrotado, Mao esteve à frente do movimento que pegou em armas contra o então presidente Chiang Kai-shek, nacionalista que presidia o país, apeando-o do poder. Foi uma transição complicada. “A China era um território extremamente fragmentado, pós-invasão japonesa, pós-Segunda Guerra Mundial, com uma guerra civil que marcou profundamente as principais bases dos problemas que a China terá no decorrer da segunda metade do século 20”, explica André Luiz Cançado Motta, professor do curso de Relações Internacionais da PUC Goiás.