-Imagem (Image_1.1326454)-Imagem (1.1326173)A memória de um menino que passeia pelo bairro de Campinas com uma antiga máquina analógica do avô. Uma misteriosa mulher guarda segredos dos homens com quem se envolve. Os causos de um emblemático morador da periferia de Anápolis. As narrativas podem ser diferentes, mas o que une as histórias desses curtas-metragens é o fato de terem sido dirigidos por cineastas negros e com protagonismo negro posto nas telas. Foi pensando assim que os diretores criaram o movimento “Filmes de Preto” como forma de discutir e ampliar a produção no cinema regional.Íntimo, mas que dialoga com diferentes nuances das políticas afirmativas do País, o selo “Filmes de Preto” já começa a alçar voos. Em junho, no Festival Internacional de Cinema Ambiental (Fica), por exemplo, a produção A Câmera de João, do diretor Tothi Cardoso, foi exibida na Mostra Cine ABD Goiás e conquistou o prêmio de melhor som. Nesse mesmo ritmo, o curta agora será apresentado no Festival Saci - Sociabilização, Arte e Cultura na Infância, em Belo Horizonte e no 28° Festival Internacional de curtas-metragens de São Paulo. “Um produto audiovisual tem uma potência especial de acesso a reflexão sobre as coisas. Traduzir algum tipo de discurso afirmativo é mais uma questão de opção narrativa”, aponta o diretor. De acordo com o profissional, o Filmes de Preto nasceu a partir do momento em que os cineastas perceberam que haviam quatro realizadores negros, com filmes prontos para serem lançados. “O negro está protagonizando o cinema. E isso reflete no que é projetado na tela. Nosso olhar sobre nós mesmos. A ideia de atingir sobretudo a periferia, que é de onde a gente vem, é o que mais interessa”, explica. Em A Câmera de João, protagonizado pelos atores Lucas Romão, Adilson Maghá e Neusa Borges, a história se manifesta em relação à memória por meio do ato fotográfico. Fala também sobre o universo de Cardoso e sua relação afetiva na forma de se fazer cinema. Trata-se da primeira direção do cineasta, formado em Audiovisual pela Universidade Estadual de Goiás (UEG), que contou com incentivo de editais estadual e municipal, com realização da produtora Dafuq Filmes. “Acredito que as questões afirmativas podem existir de várias formas. Seja no discurso ou no detalhe.”RoteiroPara agora, além da reunião e execução de encontros de discussão e exibição de filmes feitos e protagonizados por negros, como ocorreu no Cine Cultura no último mês, a proposta é de que o Filmes de Preto embale novas ideias. A criação de um circuito itinerante de reprodução das realizações feitas, mostras temáticas seguidas de debates em bairros da periferia de Goiânia, Aparecida e Anápolis já são pensados pelos componentes do movimento. “Os próximos atos serão construídos à medida em que mais pessoas se sentirem contagiadas pela ideia e proporem outras atividades”, pontua Cardoso. -Imagem (Image_1.1326449)