O antropólogo Roberto DaMatta é um dos autores brasileiros que melhor reconheceram qual é a importância social do futebol para o povo e a cultura brasileira. Ele compreende que o esporte ultrapassou os limites da disputa esportiva para se transformar em uma de nossas identidades. “Essa relação entre povo e futebol tem sido tão profunda e produtiva que muitos brasileiros se esquecem de que o futebol foi inventado na Inglaterra”, escreve o autor em um de seus textos a respeito do tema, chamado Antropologia do Óbvio: Notas em Torno do Significado Social do Futebol Brasileiro. Uma paixão que fica mais exacerbada a cada quatro anos, quando todas as torcidas dos times nacionais se unem em torno da Seleção Brasileira. O futebol vira catarse nacional, um mar de felicidade ou de decepção. É evidente que um evento tão poderoso como a Copa do Mundo, capaz de interferir no cotidiano do País quando a seleção está em campo, teria repercussões também na cultura. Há muitas décadas, o Escrete Canarinho mobiliza todo um imaginário em torno de sua icônica camisa amarela, que às vezes é azul. Nesta edição de 2026, quando o Brasil busca o hexacampeonato, título almejado já há 24 anos, essas repercussões se repetem. Aproveitando a deixa, a Netflix lançou a série Brasil 70: A Saga do Tri, produção que tem no elenco, entre outros, Rodrigo Santoro, Bruno Mazzeo e Marcelo Adnet, e refaz a epopeia de um dos títulos mais emblemáticos de nossa história, quando montamos um time que ainda hoje é reconhecido como um dos melhores que já entraram em campo em todos os tempos.