Intérprete de André em Quem Ama Cuida (Globo), Henrique Barreira, de 24 anos, faz sua estreia no horário nobre e chega à principal vitrine da dramaturgia brasileira como uma das apostas da emissora para a renovação de seu elenco.Um novo galã em formação? O ator considera o termo é reducionista e diz que não se enquadra nele. “Já tive muitos problemas com essa palavra (galã) por achar que reduzia o trabalho a um sentido estético, um padrão de beleza. Não adianta ser só bonito, tem que ter estudo, trabalho, esforço e um resultado que cative o público”, afirma o carioca.Na novela, o personagem desembarca no Brasil disposto a ajudar a família em um momento delicado. A missão, porém, se complica quando André se apaixona por Dora, personagem de Mariana Ximenes, casada com seu tio Ademir, interpretado por Dan Stulbach.O romance proibido deve se tornar um dos principais motores da trama. “Ele chega tentando reconciliar o primo e o tio, mas acaba sendo arrebatado por essa paixão”. Segundo o ator, a história vai provocar discussões entre os telespectadores e deve dividir opiniões.Ao mesmo tempo em que André se mostra profundamente ligado à família, também se entrega à paixão, o que criará um conflito que promete crescer ao longo dos capítulos.Na trama, André passou boa parte da vida estudando no exterior. Ele decidiu antecipar a sua volta ao Brasil após o cancelamento do estágio de última hora. Ele chegou ao lado de Carolina (Mah Duarte), que retornou da Itália depois de um período de estudos. De início, eles vão formar um casal. “Com Dora e Carolina, ele viverá paixões bem diferentes. Com Carol, é algo mais momentâneo, uma paixão que surge por acaso. André é um personagem apaixonado, família, amoroso, conciliador, amigo, sonhador, generoso, empático e muito profissional. Ele luta pela justiça, pelo que é certo, e gosta de ajudar as pessoas. O André tem com Ademir e Pedro uma relação marcada pela saudade. Quando percebe que as coisas estão estremecidas entre os dois, que a convivência não vai bem, ele assume quase o papel de um filho e de um irmão”, diz ele.Curiosamente, a trama dialoga com experiências que o ator já viveu fora das telas. Assim como André, ele já se relacionou com mulheres mais velhas. “A diferença é que nunca houve qualquer ligação familiar no meio da história”, brinca.Apesar de esta ser sua primeira novela das nove, Barreira não é um estreante. Antes de chegar ao principal horário da Globo, ele acumulou trabalhos no teatro, no cinema, na televisão e no streaming.Agora, enquanto vê seu rosto ganhar projeção nacional, também grava a segunda temporada de Os Donos do Jogo, série da Netflix que se tornou um dos sucessos recentes da plataforma.O ator enxerga nessa diversidade de formatos uma das maiores riquezas da profissão. “Eu cresci no teatro, amadureci no cinema e tive a oportunidade de fazer televisão e streaming. Acho muito importante transitar entre os formatos porque cada um exige ferramentas diferentes”, afirma. A nova temporada da série, acrescenta, tem tudo para ampliar ainda mais a repercussão conquistada pelo projeto.O ator descobriu cedo que queria viver da interpretação. Fã de novelas, filmes e peças desde a infância, entrou aos 12 anos no Tablado, de Maria Clara Machado, escola que revelou alguns dos principais nomes da dramaturgia nacional. Mais tarde, se formou em Artes Cênicas com ênfase em Direção Teatral pela UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro).Agora, diante da oportunidade de ocupar um espaço cada vez maior na televisão aberta, ele se vê como parte de uma geração chamada a renovar a dramaturgia brasileira. “Me sinto honrado de confiarem em mim um lugar nessa nova geração de atores”.