Um show nostálgico e ao mesmo tempo renovado é o que promete a banda Nenhum de Nós, que desembarca em Goiânia neste sábado (15), às 20h30, no Teatro Rio Vermelho. O grupo traz a turnê que celebra os 40 anos de estrada para a capital, reiterando sua consolidação no rock nacional. O repertório alterna sucessos consagrados, como Camila e Astronauta de Mármore, mas com algumas surpresas, adianta o vocalista Thedy Corrêa. “O público goiano sempre recebe muito bem essas surpresas”, diz Thedy, em entrevista ao POPULAR. Apesar de priorizar os hits, o vocalista celebra o espaço que a cidade dá para que a banda apresente seus trabalhos atuais. “Sabemos que dá para ampliar o show para oferecer surpresas que em outros lugares talvez não fossem bem compreendidos”, destaca. Ao olhar para os grandes sucessos do Nenhum de Nós nos dias de hoje, Thedy comenta o que mudou na relação dos integrantes com essas canções. “Principalmente uma chamada Camila, que foi nosso primeiro sucesso, mudou muito a maneira como nós mesmos enxergamos a força da música. Lá no início, achamos que seria mais uma que poderia fazer ou não fazer sucesso”, analisa.A dimensão agora é outra. “Hoje temos consolidada a ideia de que Camila é considerada um clássico do rock brasileiro por pessoas como Herbert Vianna e Paulo Ricardo”, diz. O Nenhum de Nós sobe aos palcos com mais de um clássico no repertório, que persistiram nas paradas de sucessos e com uma relação tão próxima com o público que merecem esse crédito, ele destaca. E depois de quatro décadas de trajetória, será que ainda existe alguma canção do Nenhum de Nós que surpreende o grupo pela reação calorosa do público? “Tem uma música chamada Você Vai Lembrar de Mim que nem é aquela faixa que tocou no Brasil inteiro, mas é uma das mais pedidas em todos os shows. Acredito que a força dessa canção se revelou ao público de uma maneira um pouco diferente do que apenas a execução em rádios e mídias. As pessoas foram descobrindo sozinhas e hoje é uma grande marca de quem curte a banda”, conta.Manter o grupo na ativa ainda hoje, quatro décadas depois, é resultado do material criado pelo grupo, segundo o vocalista. “Atribuo à força das canções, porque quem começou a nos ouvir lá no início, no final dos anos 1980, percebeu que era uma banda que ia levar o trabalho a sério e segue levando por 40 anos. A cada nova música e disco, o público é mais conquistado ainda pelas ideias do Nenhum de Nós e nos admiram por causa disso”, comenta.O repertório atravessa gerações: há quem tenha acompanhado a banda nos anos 1980 e 1990 e há jovens descobrindo as músicas do grupo agora. “A renovação do nosso público é uma das maiores motivações que a gente tem tido”, celebra Thedy. “Existe uma discussão se o público de hoje ouve música de uma maneira diferente, se o tempo de duração das músicas e a relação com os serviços de streaming influenciam muito e tal”, pontua.Thedy, no entanto, tem uma visão diferente sobre a relação de consumo de música dos mais jovens. “Quem vai nos shows em geral, não só os de música pop, gosta de assistir a um show construído como se fosse uma história contada. As canções desses shows têm começo, meio e fim, com arranjos, e não feitas em versões de dois minutos para agradar a playlist alguma. Elas foram criadas com a cara de uma música, que chegaram nas paradas de sucesso e por isso merecem estar naquele show”, explica.O público que assiste a shows, independentemente da idade, possui uma enorme conexão com os artistas que entregam essa experiência para ele, diz Thedy. “Porque esse público não vive dentro daquela pressa que é a questão da playlist, de fazer versões mais curtas, de fazer que as pessoas conheçam 30% de uma música inteira. No show, acho que isso não acontece e atribuo isso à cultura que se criou de ouvir uma obra completa de um artista, de ouvir às canções por inteiro”, destaca.EncontrosO grupo gaúcho de rock Nenhum de Nós têm dividido o palco com artistas que também estão celebrando 40 anos de carreira no último ano, como Biquíni e Paulo Ricardo. “Esses encontros revelam, primeiro, uma aproximação muito legal. Com o passar do tempo, vamos nos encontrando na estrada e ficando cada vez mais amigos dessas bandas. Às vezes a gente resolve compor alguma coisa junto ou fazer uma participação”, comenta Thedy.O vocalista também destaca que dividir os palcos Brasil afora com grupos contemporâneos reforça os ideais parecidos que possuem. “Ideais como o de fazer bons shows, com repertórios com início, meio e fim, que contam uma história. Reencontrá-los na estrada revela a essência e a força do rock brasileiro, principalmente dessa geração que surgiu nos anos 1980”, diz.SERVIÇOShow: Nenhum de NósData: 15 de agosto, sábadoHorário: 20h30 (abertura dos portões) e 21h30 (início do show)Local: Teatro Rio Vermelho - Rua 4, 1335 - CentroIngressos: a partir de R$ 80 via BaladApp