Enquanto a maioria das pessoas as vê apenas como mato, pesquisadores enxergam espécies com potencial alimentar e nutricional. Espalhadas por quintais, hortas e até terrenos baldios, as chamadas plantas alimentícias não convencionais (PANCs) reúnem centenas de espécies com partes comestíveis. Muitas delas com elevado teor de fibras, vitaminas, minerais e compostos antioxidantes, mas cujo consumo exige identificação correta e preparo adequado. A produtora audiovisual Camila Nunes, de 31 anos, descobriu esse universo ao participar de uma oficina sobre PANCs em Goiânia. Mãe de duas crianças, ela buscava formas de tornar a alimentação da família mais variada e saudável e, durante a atividade, percebeu que muitas das plantas apresentadas faziam parte das lembranças da própria infância, quando a mãe e a avó, no interior da Bahia, costumavam colher hortelã-pimenta, ora-pro-nóbis e outras folhas diretamente do quintal. “O que mais gostei foi aprender a harmonizar essas plantas nas receitas, fazer molhos, panquecas, shakes e chás. Assim fica muito mais fácil incluir esse hábito na alimentação das crianças”, conta.