Uma pausa na maratona de filmes para um bate-papo especial com o ator Paulo Betti, de 70 anos. Ele conversa com o público sobre cinema e interpretação nesta segunda-feira (20), a partir das 17 horas, dentro da programação da mostra O Amor, a Morte e as Paixões, no CineX Cult, unidade do Centro Cultural Oscar Niemeyer (CCON). “É uma conversa no estilo ‘juro dizer a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade’”, brinca o artista, em entrevista por telefone ao POPULAR. Paulo Betti disse que a ideia é revelar curiosidades sobre os diversos personagens que viveu ao longo de mais de 50 anos de carreira. Na conversa, ele também lembrou da sua relação com Goiânia, quando participou do longa Césio-137 (1990). Confira.Como vai funcionar o bate-papo na mostra?Vou responder tudo sobre interpretação, tirar dúvidas do público sobre alguns personagens que vivi nas novelas, teatro e no cinema e também dar dicas de escolas para quem pretende seguir esse rumo. É um papo no estilo ‘juro dizer a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade’. É claro que você não forma um ator de uma hora para outra, mas esse contato pessoal é insubstituível porque estimula ou desestimula os interessados por essa profissão (risos). É que muita gente pensa que é uma trajetória apenas de flores.Você tem mais de 50 anos de carreira, com diversos personagens no currículo, quais os conselhos que você pode compartilhar para quem pretende seguir o mesmo caminho?Antes de entrar na resposta, é preciso entender que como qualquer outra profissão, necessita de bastante esforço e de disciplina. É fundamental falar isso porque existe uma visão romantizada do que é essa profissão, ainda mais nesse momento em que se criou nos últimos quatro anos um movimento contra a arte. Voltando ao tema, a primeira coisa é estar informado, ou seja, consciente do que está acontecendo à sua volta. É uma carreira que não perdoa a falta de informação, então, é bom ler livros, jornais, sites e assistir a telejornais.Quais são os seus filmes favoritos da mostra?Ainda não consegui olhar todos os filmes que estão na programação da mostra, mas vou falar um que estou querendo assistir: Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Tomara que eu consiga assistir em Goiânia. Eu amo cinema, mas fazia um bom tempo que não ia por conta da pandemia e a gente meio que foi se desacostumando. Recentemente, vi duas produções que quero indicar para os cinéfilos, Os Fabelmans, do Steven Spielberg, que gostei bastante, e o nacional Marte Um, com roteiro e direção de Gabriel Martins. Vale à pena.Você já está escalado para voltar às novelas, em Amor Perfeito, trama das seis de Duca Rachid e Júlio Fischer, que substituirá Mar do Sertão. Como vai ser o seu personagem?Será uma novela de época. Vou interpretar o personagem Anselmo, que é o prefeito da cidade fictícia de Águas de São Jacinto, em Minas Gerais. Ele leva uma vida dupla com dois casamentos ao mesmo tempo, sendo o oficial com Cândida (Zezé Polessa). É um homem bastante contraditório. Estou gostando muito da história. É uma boa trama e acredito que o público vai se envolver e se apaixonar.Algum novo filme em produção?Não, porque estou empenhado agora com as gravações da novela e com o meu espetáculo Autobiografia Autorizada, com o qual estou rodando o Brasil. Mas, recentemente, fiz o curta-metragem A Sombra da Terra, do diretor Marcelo Domingues. Gostei bastante do trabalho porque mistura com desenho animado. Foi interessante o projeto.Além de personagens em novelas e filmes, você viveu uma nova experiência recentemente participando do The Masked Singer Brasil. Como foi essa jornada?Foi algo novo na minha carreira porque eu nunca tinha cantado e tive a oportunidade de entrar no estúdio e gravar. Foi uma aventura ótima que valeu como aprendizado também. Quem sabe eu não aposte na carreira de cantor. Brincadeira, não canto. Além disso, tem uma coisa da resistência física dentro daquela fantasia de Coelho. Fiquei um período confinado num hotel em São Paulo e ninguém sabia o que eu estava fazendo ali. Não contei nem para a minha família. Eu dizia que estava gravando o início de uma novela.Quais são as lembranças que você tem das passagens por Goiás?O cinema me levou para Goiânia. A minha relação mais impactante foi com a participação no filme Césio 137 - O Pesadelo de Goiânia (1990), do diretor Roberto Pires. A partir das gravações eu desenvolvi uma amizade com o artista plástico Siron Franco e conheci a cidade. Vou passar o carnaval aí e tenho certeza que será maravilhoso.Você é muito engajado politicamente nas redes sociais. Qual a avaliação você faz do momento que o Brasil passa? Você está confiante?Alívio e esperança são as palavras mais adequadas para o meu sentimento. Nós realmente escapamos de uma situação muito difícil, não creio que aguentaríamos mais quatro anos. O fascismo não suporta a convivência com a arte. A arte indaga, questiona, provoca e é revolucionária e por isso eles tentam abafá-la, estrangulá-la e eliminá-la. O que está acontecendo com os yanomamis é uma síntese de como o Brasil estava sendo tratado.Nas redes sociais você já deu algumas alfinetadas na Regina Duarte por conta do posicionamento político dela. Como está sua relação com ela?Trabalhei com a Regina Duarte em Chiquinha Gonzaga, em 1999. Nos encontramos fora da TV muitas vezes também. Não creio que a Regina esteja no pleno controle de seus atributos intelectuais, acredito que ela foi abduzida por alguma ideia extravagante que são essas teorias conspiratórias. Não acho possível alguém em sã consciência fazer ironia com o que está acontecendo com os yanomamis, por exemplo. Realmente, acho que existe um limite da natureza humana que a Regina está colocando em prova, a que grau pode chegar o ser humano na falta de empatia e discernimento.Leia também:- Sol e diversidade musical marcam concentração do Bloco do Mancha, em Goiânia- 'Me cansa. Já foi o tempo', diz Zeca Pagodinho sobre Carnaval