Quando Bernardo Élis lançou O Tronco, em 1956, a concorrência foi dura. Naquele mesmo ano surgiram dois livros gigantescos, Grande Sertão: Veredas e Corpo de Baile, ambos de Guimarães Rosa. Os dois autores se conheciam e se elogiavam desde a década anterior, quando Élis lançou Ermos e Gerais, em 1944, e Rosa estreou na prosa com Sagarana, em 1946. Talvez por isso o romance histórico do escritor goiano não tenha recebido a devida atenção em sua chegada ao mercado, pela Livraria Martins Editora, de São Paulo. Uma injustiça que foi corrigida mais de uma década depois quando o título foi relançado pelo selo José Olympio, em 1967, encantando crítica e público e dando ao Bernardo Élis o Prêmio Jabuti, o mais importante da literatura brasileira, na categoria romance, em 1968. Agora que as sete décadas de sua publicação são celebradas, O Tronco não carece provar mais nada. “O Tronco é um dos quatro livros mais conhecidos de Bernardo Élis, ao lado de Ermos e Gerais, Veranico de Janeiro e Caminhos e Descaminhos”, aponta Nilson Jaime, presidente do Instituto Cultural e Educacional Bernardo Élis Para Os Povos do Cerrado (Icebe), que atualmente coordena a gestão do legado literário do escritor. “Neste ano, quando se completam os 70 anos de seu lançamento, o Icebe lançará uma edição comemorativa da obra, com cronologia biobibliográfica e fortuna crítica do imortal. Também está sendo restaurada a Casa-Museu Bernardo Élis, última residência do escritor, hoje sede do instituto, com recursos do Programa Goyazes, do Governo de Goiás”, anuncia Nilson.