“Longe de ser o espetáculo do ano, a apresentação do grupo Mamonas Assassinas agradou a quem devia: os adolescentes, que lotaram o Ginásio Rio Vermelho.” Foi assim que O POPULAR, na edição de 24 de novembro de 1995, registrou o único show da banda em Goiás, realizado dois dias antes, na quarta-feira, 22, em Goiânia. Sem grandes aparatos de produção e sustentado pelo improviso, o grupo confirmou ali, diante de um público majoritariamente jovem, a força de um sucesso que dispensava solenidade, flertava com o deboche e parecia se divertir tanto quanto a plateia. No palco, os Mamonas, cuja morte trágica completa 30 anos nesta segunda-feira (2), já se apresentavam como um fenômeno plenamente assimilado por crianças e adolescentes. Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec, Sérgio Reoli e Samuel Reoli conduziram um show marcado pela irreverência permanente e pela recusa ao estrelato, em sintonia direta com o público que lotou o Ginásio Rio Vermelho. A descontração, registrada pelo repórter Sebastião Vilela de Abreu como sinal de que o sucesso não os intimidava, reforçou a identidade de um grupo que, com humor e escracho, transformou aquela noite em mais uma afirmação de sua força juvenil.