Mudar o comportamento alimentar não é uma tarefa fácil. É necessário realizar várias etapas até que a mudança de fato ocorra. Uma das etapas iniciais é a identificação dos problemas principais. Para isso, uma ferramenta que pode ser utilizada é a realização do diário alimentar. Nele, o indivíduo conseguirá identificar padrões de comportamento, gatilhos e as emoções envolvidas que fazem com que a relação com a alimentação não seja saudável. O foco aqui não é apenas monitorar o quanto você come de calorias, carboidratos, proteínas e gorduras, mas sim mapear o que te leva a ter uma alimentação desequilibrada e a partir daí buscar estratégias específicas e acima de tudo efetivas. Os profissionais envolvidos nessa mudança e que se beneficiarão dessa ferramenta serão nutricionista e psicólogo, que, juntamente com o indivíduo, discutirão qual ou quais os melhores caminhos a se seguir. Esse diário não precisa ser padronizado, ele pode ser construído de diversas formas e com tópicos personalizados para cada situação que se quer investigar. O mais importante é que faça sentido para o objetivo principal. Além disso, é uma forma de avaliar o progresso da mudança. Um modelo de recordatório pode incluir tópicos como refeição, horário em que ela foi realizada, quantidades, local, atividade que estava realizando junto à refeição, emoções e sensações que foram identificadas antes, durante e após a refeição. Como, no contexto atual, ter tempo para realizar esses registros pode ser um empecilho importante, registrar os alimentos por meio de fotografias e fazer as anotações em um aplicativo do celular pode ser uma alternativa mais prática. Cada tópico desse diário traz informações importantes. Anotar as refeições e os horários em que elas foram consumidas nos traz informações sobre organização que é um ponto crucial para um maior controle de fome e consumo de doces e a redução de beliscos, por exemplo. Anotar as quantidades e o que foi consumido naquele momento ajuda na identificação da qualidade e quantidade nutricional de fato consumida sem que se precise contar com a memória que, por vezes, subestima o consumo. Anotar o local onde as refeições foram realizadas nos traz informações sobre possíveis gatilhos ambientais para comer de forma exagerada ou comer alimentos específicos, por exemplo. Anotar sobre a atividade que estava sendo realizada durante a refeição nos ajuda a entender alguns por quês como porque estão acontecendo os exageros ou porque há uma maior predileção por aquele alimento. Por fim, anotar as emoções e sensações ajuda a identificar gatilhos e reconhecer padrões de comportamentos. O diário alimentar pode também trazer mais consciência no momento do preenchimento, pois ao fazer as anotações o indivíduo conseguirá muitas vezes identificar de prontidão os problemas existentes, analisá-los e realizar mudanças nas refeições seguintes. Com a ajuda de profissionais a efetividade na resolução dos problemas fica mais eficiente, pois poderão utilizar da sua expertise e identificar e fazer associações que o indivíduo sozinho não identificou e, juntos, traçar estratégias inteligentes.