As fases da gestação e da lactação são cercadas de mitos, o que gera muitas angústias, restrições ou inclusões desnecessárias. Por isso, na coluna de hoje, trago alguns dos mais comuns.Mito 1: “Gestante tem que comer por dois”. Esse é um mito muito antigo e ainda propagado. É claro que a gestação não é o momento de realizar restrições calóricas e muito menos deve ter como foco a perda de peso. Mas comer por dois não é indicado, afinal, aumenta a chance de ganho excessivo de peso, o que pode elevar o risco de complicações como diabetes gestacional, pré-eclâmpsia e trombose, entre outras.O aumento da ingestão calórica necessário durante a gestação não é tão alto quanto se imagina, principalmente para gestantes que já engravidam acima do peso. Portanto, comer por dois pode ser mais prejudicial do que benéfico para a mãe e o bebê. Caso seja necessária, a perda de peso deve ocorrer prioritariamente no primeiro trimestre, de forma controlada e monitorada. Após essa fase, o foco deve ser a boa nutrição do bebê.Mito 2: “Gestante não pode fazer exercícios físicos”. Fazer exercícios durante a gestação, salvo em algumas situações específicas, é recomendado, pois auxilia no controle do peso, da pressão e da glicemia — o que é muito importante para gestantes que têm diabetes gestacional —, além de contribuir para a redução do estresse e a melhora da qualidade do sono. Para isso, é necessário o acompanhamento de um profissional especializado, para que os exercícios sejam adaptados e realizados de forma segura.Mito 3: “Pode comer peixe cru, pois não transmite toxoplasmose” ou “Não pode comer peixe cru porque transmite toxoplasmose”. De fato, o peixe cru não transmite toxoplasmose, mas pode causar infecções como salmonelose e listeriose, que podem colocar em risco a saúde do bebê. Portanto, evitar o consumo é a opção mais segura.Mito 4: “Canjica aumenta a produção de leite”. Esse mito é polêmico, e aposto que você encontrará ou já encontrou muitas pessoas dizendo que funcionou ou funciona. Mas a verdade é que pode ter sido apenas uma coincidência, pois os fatores que, de fato, têm comprovação de que aumentam a produção de leite são a sucção do bebê — quanto mais ele mama, mais a mãe tende a produzir —, a hidratação e a alimentação adequadas.Mito 5: “A cólica do bebê está relacionada ao que a mãe come”. Não existe comprovação científica para essa afirmação. Mais uma vez, você encontrará mães que vão relacionar a exclusão de determinados alimentos à melhora dos sintomas, mas também encontrará mães que dirão que a exclusão não funcionou.No primeiro caso, pode ter sido apenas uma coincidência: a exclusão ocorreu na mesma época em que houve melhora da maturidade digestiva do bebê, entre outros fatores. O sistema digestivo do bebê leva algum tempo para amadurecer, e é durante essa fase que as cólicas aparecem.Mito 6: “Meu leite é fraco”. Não existe leite fraco. O leite produzido pela mãe é completo. O que pode acontecer é uma produção insuficiente, decorrente de diversos fatores, como a pega incorreta, que faz com que o bebê sugue menos e, consequentemente, reduz o estímulo à produção. Busque orientação profissional para identificar os problemas envolvidos.