Já está bem estabelecido pela ciência que gastar mais calorias do que se consome por meio da alimentação leva ao emagrecimento. Portanto, mesmo que você consuma alimentos pouco saudáveis, é possível emagrecer, desde que consiga manter um déficit calórico. A mesma lógica se aplica com os alimentos saudáveis. Se você come somente alimentos com boa qualidade nutricional, mas come mais do que gasta, você também ganhará peso. Partindo dessa premissa, você pode estar pensando: “então o que eu quiser, só eu controlar as quantidades”. Acontece que não é tão simples assim, pois a qualidade do que consumimos influencia em diversos aspectos da saúde, inclusive no processo de emagrecimento, moldando nosso comportamento alimentar e atuando na qualidade desse emagrecimento. Vou explicar. Um ponto importante é considerar que a maioria dos alimentos com baixo valor nutricional como ultraprocessados e fast foods, além de fornecerem mais calorias por volume de alimento (ou seja, você até pode comer pouco, mas esse pouco tem muitas calorias), eles também provocam vontade de comer mais e aumentam a busca por alimentos que tenham esse padrão, o que a longo prazo levará ao aumento de peso. Então não é o caminho mais inteligente. Afinal, você conseguiria sustentar, a longo prazo, um emagrecimento comendo apenas uma ou duas refeições por dia, já que três ou quatro refeições com alimentos ricos em calorias provavelmente ultrapassaria seu gasto? Um ponto importante no emagrecimento é entender que, quando se perde peso, como mecanismo de defesa, o corpo aumenta a fome. Portanto, um dos pontos a serem trabalhados para a manutenção do peso perdido é aumentar a saciedade. Uma das formas de fazer isso é melhorando a qualidade alimentar por meio de alimentos ricos em fibras, que, no geral, são alimentos mais saudáveis e também aumentando o volume de alimentos. E, pensando de forma estratégica, alimentos que fornecem menos calorias por grama são alimentos mais saudáveis como frutas, verduras, legumes e leguminosas como o feijão, entre outros. Resumindo, você comerá mais, ficará mais saciado, mas sem aumentar muito as calorias da alimentação, ou seja, o combo perfeito para emagrecimento e para a manutenção dele, pois ajuda no controle da fome que é uma consequência natural do emagrecimento. Outro ponto é que, quanto mais errado se come, menos disposição se tem, menos energia se tem para fazer atividades diárias e treinar, piora o sono, o que aumenta o desejo por alimentos mais ricos em calorias, atrapalha o funcionamento intestinal que é o local onde absorvemos os nutrientes, levando à piora da saúde como um todo e consequentemente esse cenário favorece o reganho de peso. Além disso, você pode até perder gordura comendo errado, mas manter ou ganhar massa muscular, que é um preditor de saúde, vai ser bem difícil. Eu disse no início que extrapolar as calorias comendo alimentos saudáveis também pode engordar, porém é bem mais difícil ganhar peso dessa forma, pois esses alimentos tendem a provocar uma maior saciedade, dificultando o consumo em excesso. Você conhece alguém que engordou por excesso de frutas e legumes? Claro, não devemos ignorar as calorias, mas melhorar a qualidade alimentar é fundamental para criar um emagrecimento sustentável e, a depender do caso, pode ser um primeiro passo antes de pensar em calorias.