É muito comum nos consultórios de profissionais da área da saúde e nas rodas de conversas ouvir pessoas dizendo que têm compulsão alimentar. Mas será que é uma afirmação realmente plausível? É o que vamos discutir na coluna desta quarta-feira (25). Em primeiro lugar, é necessário diferenciar a compulsão alimentar do exagero alimentar. A compulsão alimentar ou TCAP (transtorno de compulsão alimentar periódica) é uma doença de ordem psiquiátrica e que deve ser tratada de forma multidisciplinar, a priori com psiquiatra, psicólogo e nutricionista. Outros profissionais também podem contribuir para o tratamento. Portanto, nesses casos, somente ter “força de vontade” para mudar, como muitos alegam por aí, não será suficiente. O diagnóstico deve ser realizado por profissionais da saúde mental habilitados. Para isso, o indivíduo tem de apresentar alguns comportamentos específicos. São eles: comer uma quantidade muito maior comparada a uma pessoa nas mesmas condições. Não é apenas comer uma pizza inteira (o que classificaria um exagero possível de acontecer), mas sim comer quantidades absurdas de comida. Nesse momento, normalmente não há escolhas de alimentos específicos, podendo até haver o consumo de comidas não apropriadas para o consumo, como comidas vencidas. Outra característica é o episódio durar um curto intervalo de tempo, em média duas horas, com perda de controle, ou seja, a pessoa não consegue interromper o consumo, e muitas vezes só percebe o que aconteceu no fim dos episódios. Diferente dos casos de exageros nos quais a pessoa está consciente e pode decidir se continua comendo ou não. Frequentemente a compulsão alimentar está relacionada a problemas de ordem emocional como ansiedade, angústia e até mesmo tédio. Já no exagero alimentar pode ocorrer a presença do gatilho emocional, mas também pode ser desencadeada por uma privação alimentar intensa. Como é o caso de uma pessoa que passa muitas horas sem comer ou come muito pouco e acaba comendo a mais do seu habitual quando tem acesso à comida. Na compulsão há a presença de sentimentos como culpa e vergonha, inclusive pode-se esconder o que aconteceu de outras pessoas. Além de todas esses comportamentos, existe uma frequência com a qual ela deve ocorrer para que o diagnóstico seja realizado. Diferenciar a compulsão do exagero é fundamental para buscar a melhor estratégia para resolver o problema de forma efetiva e evitar danos à saúde física e mental. O tratamento principal envolve uso de medicações, terapia e acompanhamento nutricional.Se você desconfia que tem compulsão, busque ajuda profissional para que ele possa tirar sua dúvida. Lembrando que a intenção desta coluna não é realizar diagnóstico, mas sim acender um alerta para que você busque ajuda direcionada. O diagnóstico só pode ser dado por um profissional que vai avaliar os sintomas e todo o contexto de vida da pessoa. Portanto, não se limite apenas às minhas informações.