-Imagem (1.1207530)O ano de 2016 foi de consolidação para as irmãs Simone & Simaria. A dupla faz parte do novo momento da música sertaneja que mostra a força da ala feminina no gênero, com clipes com milhões de acessos, cachês polpudos e letras com temas que antes eram exclusividade dos homens. As irmãs baianas de Uibaí, ex-backing vocals do cantor Frank Aguiar, estouraram no Brasil em 2015 com o projeto Bar das Coleguinhas, com um misto de canções românticas e de sofrência, como Meu Violão e Nosso Cachorro, Não Vou Mais Atrás de Você (com participação de Wesley Safadão) e Quando o Mel é Bom. As artistas, que no começo da carreira ganhavam R$ 200 por mês, deixaram os tempos difíceis para trás e hoje são umas das duplas mais requisitadas no Brasil, com uma agenda com mais de 20 shows. Para facilitar a logística, as Coleguinhas mantêm residência em Fortaleza, para apresentações no Norte e Nordeste, e em Goiânia, para facilitar a logística no Sul e Sudeste. “A gente faz a quantidade de shows que quiser, graças a Deus, mas se deixar por conta dos nossos empresários a gente faz até 30”, brinca Simaria. “Tivemos uma infância dura. Nós já moramos em barraco de lona, casa de pau a pique. Era terrível, não tinha banheiro. Chuveiro era um cano”, lembra. Confira abaixo a entrevista completa.Qual avaliação você faz de 2016 da dupla?Foi o melhor ano da minha vida de trabalho. Por tudo que passamos com outros projetos anteriores e hoje sermos reconhecidas no Brasil inteiro, que era o que a gente sonhava, não podemos reclamar. Sou muito perfeccionista e tudo que faço é com muita convicção. Quero sempre fazer o melhor para as pessoas. Sou a primeira a me cobrar por qualidade. Quando entro no estúdio não solto uma música enquanto ela não está do jeito que eu quero. Eu tenho muito cuidado com as coisas e cada vez o trabalho vem ficando melhor.Você considera 2016 o ano das mulheres no sertanejo?Acredito que 2017 será ainda melhor. No novo DVD, por exemplo, lançamos quatro músicas e todas estão com milhões de acessos nas redes sociais. Essa quantidade de acessos nem é tão importante, o legal mesmo é você ver as pessoas cantando suas músicas nos shows, esse que é o termômetro de verdade.Como surgiu a parceria com a Anitta?A Anitta é uma amiga querida. A gente se conheceu em 2016 e eu estava querendo lançar esse estilo reggaeton misturado com sertanejo e a Anitta já tem essa pegada pop e pensei em juntar tudo isso e deu certo. Vejo a música sem barreiras e sem limites. Quando a gente grava qualquer som sertanejo tem influência da Beyoncé e de um baixo do forró. Na música, você pode fazer o que quiser.Vocês passaram por muitas dificuldades antes da fama?Várias. Quando saímos para tentar a carreira solo foram três anos passando necessidade e fome. Sustentávamos nossas casas com R$ 200 por mês. A gente não tinha cama, dormia em uma cama feita de palha de milho. Hoje tenho gratidão por tudo que conseguimos e de poder proporcionar para os nossos filhos um cantinho melhor.Antes da carreira com a dupla vocês faziam parte da banda do cantor Frank Aguiar. Ficou alguma relação não bem resolvida com ele?Não existe nada. A gente já se encontrou várias vezes e até tiro onda com o Frank quando o vejo. Ele abraçou a gente, chorou e disse que estava feliz pelo nosso sucesso. O problema é que a gente quase não se encontra e quando estou voltando para casa dou prioridade para a minha família e para pessoas que estão mais próximas de mim e que sofreram comigo.Como está a agenda de vocês hoje?Hoje a gente faz a quantidade de shows que quiser, graças a Deus, mas se deixar por conta dos nossos empresários a gente faz até 30 por mês. Mas tenho meus filhos e não quero passar minha vida inteira longe das pessoas que eu amo. Então, a quantidade ideal é pouco mais de 16 apresentações por mês para eu poder pelo menos passar dois dias da semana com os meus filhos. Não adianta fazer 30 shows por mês e não estar perto das pessoas que você ama, aí você será infeliz.O que você realizou de sonho depois da fama?Uma casa boa para morar que era o meu sonho e um banheiro com box e um chuveiro bom para tomar banho. Tivemos uma infância dura. Nós já moramos em barraco de lona, casa de pau a pique. Era terrível, não tinha banheiro. Chuveiro era um cano. Hoje comprei uma casa em Goiânia, mas que ainda não está pronta. A Simone também comprou uma residência na cidade. Quando fazemos shows no Sul e no Sudeste ficamos em Goiânia. Quando estamos com agenda no Norte e Nordeste ficamos em Fortaleza.Vocês passaram por uma transição do forró para o sertanejo. Vocês estão mais felizes agora?Muito. Quando a gente era criança, o meu pai já escutava e cantava sertanejo dentro de casa. Crescemos escutando. No entanto, Deus mandou a gente primeiro para o forró para trilhar um caminho e aprender muita coisa e para depois lançar o Bar das Coleguinhas, projeto paralelo sertanejo e que hoje virou nosso som de verdade, que era o sonho do nosso pai.