Antes do ouro e das fachadas coloniais que hoje definem a imagem da cidade de Goiás, a paisagem do vale do Rio Vermelho já guardava outros sinais humanos. Gravados diretamente na rocha, alguns desses registros sobreviveram ao tempo e começam agora a revelar uma história muito mais antiga do que a narrativa tradicional do Brasil Central costuma contar. Na zona rural do município, pesquisadores identificaram recentemente o sítio arqueológico da Pedra Riscada, um conjunto de gravuras rupestres esculpidas em um maciço de quartzito. As marcas, produzidas por povos pré-colombianos que habitaram a região em tempos remotos, indicam que aquele território já era um espaço simbólico e culturalmente significativo muito antes da colonização. O local reúne petróglifos, gravuras feitas diretamente na rocha por meio de técnicas de picoteamento e incisão. “Não se trata de marcas isoladas. O que observamos é um painel organizado, com grafismos geométricos estruturados e preenchimentos internos que revelam planejamento e domínio técnico”, explica o arqueólogo Wagner Magalhães, do Instituto Vila Boa, responsável pelo registro do sítio.