Bolinho de couve com queijo, pastel de espinafre com ricota e pimentão recheado estão entre os petiscos que fazem sucesso nos botecos pelo Brasil. Apesar de ainda tratadas como coadjuvantes, as verduras agora assumem o centro do prato. Elas são o tema da 26ª edição do concurso Comida di Buteco, que será realizado entre esta sexta-feira (10) e 10 de maio, reunindo mais de 1,1 mil estabelecimentos do País. Em Goiás, são 49 bares participantes, 42 em Goiânia e 7 em Aparecida de Goiânia. “Como os temas de cada edição são sempre nacionais, precisamos considerar a capilaridade, sazonalidade, disponibilidade e preço”, afirma o diretor de operações do concurso, Filipe Tosta, sobre a escolha das verduras como eixo desta edição. Cada prato terá preço fixo de R$ 40. A proposta tem como objetivo estimular a criatividade dos bares sem romper com a base da cozinha de raiz. A expectativa dos organizadores é provocar releituras a partir de ingredientes acessíveis e presentes no cotidiano, mantendo o caráter democrático do buteco e a identificação do público com os pratos.Mesmo com a expansão nos últimos anos, Filipe sustenta que a essência do concurso permanece vinculada aos pequenos negócios familiares. Segundo ele, o perfil dos participantes, com donos e suas famílias à frente da operação, segue como critério central. “A ideia é preservar o boteco como extensão da casa, garantindo que o crescimento em escala não dilua a identidade construída desde a origem do evento”, explica.Em termos de impacto, o Comida di Buteco tem efeitos diretos sobre faturamento e visibilidade dos estabelecimentos. A organização estima aumento médio de cerca de 40% na receita durante o período do concurso, além da geração de empregos em âmbito nacional. Em Goiás, onde a iniciativa já está consolidada, há registros recorrentes de negócios que se fortaleceram e ganharam permanência no mercado após a participação. Veterano no concurso, o Bar Dodô (@bardodogoiania) chega com boa expectativa ao apostar em um petisco que cruza referências nordestinas com o tema das verduras. O prato reúne bolinho de abóbora cabotiá recheado com taioba e carne de sol, acompanhado de maionese de manteiga do sertão, além de dadinhos de tapioca com queijo coalho servidos com geleia de abacaxi com rapadura. Inspirada em ícones como Lampião e Maria Bonita, a criação tem na taioba o elemento central da proposta.O Comida di Buteco foi criado em 2000 com a finalidade de resgatar e valorizar a cozinha de raiz por meio da visibilidade aos botecos espontâneos e tradicionais. Desde 2016, elege o melhor buteco do País. Vencedor em Goiás em 2025, o Caldos Imola (@caldosimola) retorna à disputa apostando na força de um clássico afetivo. O petisco é servido em uma paellera de cobre, acomodado dentro do pão, com moelas cozidas e finalização de folhas e brotos de rúcula, que acrescentam leve picância ao conjunto. A receita parte de uma tradição familiar e incorpora o tema das verduras justamente na finalização, equilibrando intensidade e frescor. Segundo os responsáveis, o principal desafio foi ajustar o sabor na combinação dos ingredientes, mantendo a identidade do prato sem perder harmonia.Campeonato de saborO funcionamento do Comida di Buteco segue o formato já consolidado: cada bar cria um petisco exclusivo e o público tem cerca de um mês para visitar, provar e votar. A avaliação considera petisco (70% da nota), além de atendimento, higiene e temperatura da bebida, com peso dividido igualmente entre voto popular e júri técnico (50% cada). Os cerca de 20% piores colocados de cada circuito ficam fora da edição seguinte, em modelo semelhante ao rebaixamento do futebol. Em maio são definidos os campeões regionais e, em junho, os jurados visitam os vencedores para eleger o melhor boteco do País, anunciado em julho, em evento em São Paulo.Entre os estreantes em Goiás, a aposta é transformar a memória em prato. No Gercina Bar (@gercinabar), o responsável Luís Paulo Cortez parte da relação com o Rio Araguaia para construir o Bolinho de Caranha. “A caranha foi escolhida por carregar essa memória”, afirma. Servido em quatro unidades, o petisco vem com emulsão de agrião e picles de acelga e maxixe, articulando crocância, cremosidade e acidez. “As verduras aparecem em todo o prato, trazendo frescor e equilíbrio”, resume. O desafio, segundo ele, foi ajustar essa combinação sem romper a identidade de boteco.