No rastro da agenda internacional de Wagner Moura, o Conversa com Bial foi até Atenas, na Grécia, encontrar o ator para o episódio que vai ao ar nesta terça-feira (4). Tendo a acrópole como pano de fundo do cenário, o programa mostra o artista em um momento singular de sua trajetória: entre a turnê europeia do espetáculo O Julgamento, a repercussão mundial de O Agente Secreto, filmagens de produções estrangeiras e as reflexões provocadas pela chegada aos 50 anos. Em uma conversa que atravessa arte, política, democracia e vida pessoal, Wagner fala sobre o retorno ao teatro, a carreira internacional, a relação com os filhos e os desafios de viver em um mundo em que, segundo ele, os fatos parecem perder espaço para diferentes versões da realidade.“O nome do Wagner esteve nos nossos planos desde o início da temporada. Tentamos encontrá-lo em diferentes momentos da agenda internacional dele, mas a Grécia acabou sendo um presente para o programa. Conversar sobre democracia, teatro, escolhas e vida justamente em Atenas, berço da democracia e do teatro ocidental, deu uma força simbólica muito grande à entrevista. Foi um privilégio acompanhar o ator fora dos personagens, em um momento de reflexão muito generoso sobre sua trajetória, seu trabalho e o mundo em que vivemos”, conta Gian Bellotti, diretor artístico do programa.Quando recorda o último ano, que incluiu a conquista da Palma de Ouro de melhor ator no Festival de Cannes e a indicação ao Oscar, Wagner afirma que a visibilidade global trouxe novas oportunidades, mas não alterou sua essência como artista. “Eu sigo sendo o artista que sou, do jeito que acredito, escolhendo as coisas que têm a ver comigo. Mas é claro que, depois da visibilidade de um Oscar, vêm oportunidades que não viriam antes”, comenta.A entrevista também aborda sua relação com o teatro, linguagem à qual voltou após anos dedicados sobretudo ao cinema. Wagner revela ter comemorado os 50 anos em cena, durante uma apresentação em Amsterdã, na Holanda, e descreve a experiência como especialmente simbólica. “Fazer 50 anos voltando aos palcos foi muito significativo. Minha história como ator começou no teatro e eu me sinto dessa forma. O teatro me faz entender por que eu escolhi isso. É a fagulha que me fez querer ser ator”, diz.Ao falar sobre sua carreira internacional, Bial pergunta se Wagner já tem inglês suficiente para interpretar um personagem sem sotaque. O ator, então, comenta a escolha de preservar sua forma de falar em produções estrangeiras e rejeita a ideia de neutralizar sua origem para se adequar a determinados papéis. “Eu não quero falar sem sotaque. Acho que represento uma parcela gigante de pessoas: gente que fala com sotaque, imigrantes. Politicamente, me sinto muito confortável em dizer que não quero fazer isso”, afirma.A conversa também passa por temas políticos e pela montagem de O Julgamento, peça criada por Wagner, Cristiane Jatahy e Lucas Paraízo a partir da obra Um Inimigo do Povo, de Henrik Ibsen. O espetáculo propõe uma reflexão sobre democracia, verdade, polarização e participação popular. Ao discutir o mundo contemporâneo, o ator compartilha sua preocupação com a crescente dificuldade de construção de consensos. “Eu lembro de uma época em que esquerda e direita brigavam, discutiam, mas estavam vendo o mesmo fato. Hoje, os fatos já não importam mais. Se os fatos deixam de existir e passam a existir versões da realidade, isso me assusta”, analisa.A família também ganha espaço na entrevista. Wagner fala sobre os filhos Salvador, José e Bem. Atualmente estudante de cinema, Bem prepara sua estreia como ator em um longa dirigido por Monique Gardenberg, que tem Marieta Severo e Humberto Carrão no elenco. “O Bem é artista. Ele quer ser diretor, escreve super bem. Fez teste e passou. Acho um filme maravilhoso para ele começar”, conta.Bial e Wagner ainda conversam sobre novelas, gênero que marcou o início de sua trajetória na televisão. O ator relembra trabalhos como A Lua me Disse e Paraíso Tropical e reconhece a importância da experiência para sua formação profissional. “A novela me preparou porque você tem de chegar e fazer. Esse sentido de sobrevivência a novela me deu”, afirma.Conversa com Bial vai ao ar na TV Globo às terças-feiras, após Pablo e Luisão. O programa tem apresentação e redação final de Pedro Bial, direção de Fellipe Awi, direção artística de Gian Bellotti e produção de Anelise Franco. A direção de gênero é de Monica Almeida.